Milhares de pessoas ocuparam neste domingo (21) a Praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem e a anistia a condenados por crimes relacionados ao golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-ministros e aliados.
De acordo com os cálculos do Monitor do Debate Político no Meio Digital, vinculado à Universidade de São Paulo (USP), 41,8 mil pessoas estiveram presentes no ato em Copacabana.
A proposta de emenda à Constituição, repudiada pelos manifestantes, foi aprovada pela Câmara dos Deputados na última terça-feira (16). Na prática, a medida dificulta a abertura de processos criminais contra parlamentares, exigindo que as casas legislativas autorizem a instauração de tais processos.
Aos gritos de “Sem Anistia” e “Viva a democracia”, os manifestantes se reuniram na altura do Posto Cinco da Orla de Copacabana, para ouvir discursos de lideranças políticas e assistir aos shows de cantores como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Djavan, entre outros.
Caetano Veloso, durante o ato musical, afirmou que a democracia no Brasil resiste. Segundo ele, a cultura nacional demonstra grande vitalidade.
“Não podemos deixar de responder aos horrores que vêm se insinuando à nossa volta.”
Gilberto Gil lembrou que o Brasil já passou por momentos semelhantes em sua história. “Passamos por momentos parecidos sempre em busca da autonomia, do bem maior do nosso povo”, afirmou.
De estudantes a aposentados
A servidora pública federal aposentada Regina Brito, de 68 anos, foi uma das primeiras a chegar, para ficar bem perto dos cantores no ato musical. Ela disse ser muito importante apoiar o movimento contra aqueles que tentaram planejar um golpe no país.
“Eu fui criada na ditadura militar. Sei como era isso. Essas pessoas acabaram de ser condenadas, nem estão cumprindo pena e já querem anistia? E esse Congresso, vilão, da direita, em vez de votar pautas do povo, como a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil, é um Congresso que não pensa no povo em nenhuma instância, só pensa no próprio umbigo.”
Acompanhada do marido, o policial penal aposentado Edson Martins Tonnel, de 65 anos, também chegou cedo ao protesto em Copacabana.
“Se a gente não reagir, a Câmara vai se transformar em um antro de bandidos. Eu acho que a PEC deve ser barrada no Senado. Qualquer bandido que se candidatar, vai piorar a situação. O crime vai prosperar. Independentemente da nossa idade, cada um tem que colaborar para o bem do Brasil e da nossa família. Que o Brasil não se curve!”
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