Num cenário de rombo fiscal que já ultrapassa R$ 175 bi, patrocinar “A Fazenda 17” pelo Ministério da Assistência Social revela cálculo político: dinheiro público investido para agradar público evangélico em vez de priorizar austeridade ou serviços básicos.
O reality show A Fazenda 17, que estreia segunda-feira (15), traz uma novidade inquietante: o Ministério do Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), do governo Lula, aparece como patrocinador oficial. É inédita essa conexão direta entre verba pública e programa de grande audiência para divulgar a imagem do governo.
Enquanto o Brasil afunda em déficit orçamentário cada vez mais alarmante, parece que os recursos federais estão sendo redirecionados para projetos de apelo midiático — e até eleitoral — em vez de solucionar os graves problemas fiscais ou reforçar serviços públicos. Em julho de 2025, o setor público consolidado apresentou um déficit primário de R$ 66,6 bilhões, o segundo maior da história para o mês. O déficit nominal, somando juros e obrigações, bateu R$ 175,6 bilhões.
Esses números mostram que o governo não tem folga: ou reduz descontroladamente suas despesas discricionárias ou assume mais endividamento. E, no meio desse cenário, usar dinheiro do MDS para aparecer em A Fazenda 17 soa como investimento político — sobretudo para seduzir o público evangélico que consome programas populares da Record.
Em vez de priorizar saúde, educação ou assistência direta aos mais pobres, a gestão opta por marketing institucional com apelo religioso. É indecente, sob o ângulo fiscal e moral, que um ministério ligado ao combate à fome patrocine entretenimento que nada contribui no enfrentamento imediato da crise.
Esse tipo de uso eleitoral de ministérios, aliado ao déficit crescente, configura desvio de foco do que realmente deveria importar: gestão responsável do dinheiro público, redução da dívida e melhora de serviços sociais. Se o governo continuar nesse caminho, estará investindo não para o bem público, mas para autopromoção — com o ônus recaindo sobre os cidadãos.
















