Estudo mostra que 95% da área desmatada era formada por florestas, ampliando risco de ponto de não retorno do bioma
Nos últimos 40 anos, a Amazônia perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a 13% de sua área total, segundo levantamento do Mapbiomas. Considerando perdas anteriores, o desmatamento acumulado chega a 18,7% da cobertura original, sendo 15,3% convertido para uso humano. O ritmo de degradação aproxima o bioma do chamado ponto de não retorno, estimado entre 20% e 25% de perda, quando a floresta deixa de ter capacidade de se regenerar.
As principais atividades ligadas à conversão de solo são pecuária, agricultura, silvicultura e mineração. Nesse período, as pastagens passaram de 12,3 milhões para 56,1 milhões de hectares, enquanto a agricultura cresceu 44 vezes, alcançando 7,9 milhões de hectares. A silvicultura avançou 110 vezes e a mineração ampliou-se de 26 mil para 444 mil hectares. A soja responde por 74,4% da área agrícola, somando 5,9 milhões de hectares, dos quais 4,3 milhões foram implantados após a Moratória da Soja, em sua maioria em áreas já convertidas.
O estudo aponta que 95% da vegetação suprimida era formada por florestas, o tipo mais afetado. A redução da cobertura florestal já gera impactos perceptíveis, como o ressecamento de áreas úmidas e a diminuição de 2,6 milhões de hectares de superfícies de água entre 1985 e 2024. Atualmente, 2% da cobertura verde remanescente corresponde à vegetação secundária, em processo de regeneração, que sofreu menor impacto do desmatamento no último ano.

















