O Banco Central (BC) rejeitou a proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), que estava sendo analisado desde março e representava a última etapa regulatória para a concretização da transação.

A decisão de não aprovar a aquisição foi comunicada na noite de quarta-feira (3), por meio de um comunicado oficial do BRB aos investidores. O Banco Central ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto.
“O BRB – Banco de Brasília S.A. (“BRB”; B3: BSLI3 e BSLI4) informa aos seus acionistas e ao mercado que recebeu do Banco Central (“Bacen”) a informação de que o pedido referente à aquisição de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master S.A. (“Banco Master”) foi indeferido. O BRB solicitou acesso à íntegra da decisão para entender os motivos e avaliar as possíveis medidas a serem tomadas”, informou o BRB no comunicado.
“O BRB reafirma que a transação era vista como uma oportunidade estratégica, com potencial para gerar valor para o banco, seus clientes, o Distrito Federal e o Sistema Financeiro Nacional, e manterá seus acionistas e o mercado informados sobre os próximos passos, conforme a legislação e a regulamentação aplicáveis”, acrescentou.
Há pouco mais de 10 dias, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sancionou uma lei distrital, aprovada pela Câmara Legislativa do DF (CLDF), que autorizava o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master S.A., atendendo a uma exigência judicial. O objetivo era expandir a atuação do BRB no mercado e fortalecer sua posição no setor financeiro.
Desde o anúncio da negociação, há seis meses, as ações do BRB valorizaram em torno de 23% na Bolsa de Valores (B3).
Negócio controverso
Desde que o BRB anunciou a intenção de adquirir o Banco Master por R$ 2 bilhões, a transação gerou controvérsia.
Isso se deve à política de captação de recursos do Master, considerada agressiva pelo mercado, que oferece rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI) em seus papéis, valores significativamente superiores às taxas médias praticadas por bancos menores, que ficam em torno de 110% a 120% do CDI.
Sem ter divulgado o balanço de dezembro do ano anterior, o Master enfrenta a desconfiança do mercado financeiro. Recentemente, a instituição tentou emitir títulos em dólares, mas não conseguiu captar recursos. As operações do banco envolvendo precatórios, títulos de dívidas de governos com sentença judicial definitiva, também levantaram questionamentos sobre sua saúde financeira.
Recentemente, o BTG Pactual ofereceu apenas R$ 1 para assumir o controle do Master e assumir suas dívidas. O pagamento dessas dívidas seria feito com recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que protege investimentos de até R$ 250 mil por pessoa física ou jurídica em cada instituição financeira.
No entanto, a falta de acordo entre os bancos que contribuem para o FGC impediu que a negociação fosse concluída.
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