Um incêndio de grandes proporções atingiu, na madrugada desta quinta-feira (17), um casarão abandonado no bairro do Comércio, em Salvador, e se alastrou para outros quatro imóveis vizinhos. O fogo teve início na noite de quarta-feira (16), no Edifício Lâmpada — prédio histórico interditado há anos e frequentemente ocupado por pessoas em situação de rua, segundo relatos de moradores da região.
O Corpo de Bombeiros confirmou que não houve vítimas. As chamas foram controladas parcialmente ainda na madrugada, mas as equipes continuaram trabalhando ao longo da manhã para eliminar focos remanescentes e garantir a estabilidade das estruturas atingidas.
A Defesa Civil de Salvador (Codesal) interditou cerca de 20 imóveis nas ruas Conselheiro Dantas e Algibebes. A Rua Portugal foi liberada apenas para pedestres, assim como parte da Plínio Martins. Já a Conselheiro Dantas segue totalmente bloqueada. Dois dos imóveis mais afetados — o prédio azul e o próprio Edifício Lâmpada — seguem sob monitoramento constante devido ao risco de colapso.
O incêndio também impactou diretamente o funcionamento de serviços na região: uma faculdade com sede próxima ao local teve as atividades suspensas.
O episódio reacende o alerta sobre o abandono de imóveis históricos no centro antigo de Salvador. Nos últimos anos, diversos casarões tombados ou de valor arquitetônico expressivo vêm sofrendo com deterioração, invasões, desabamentos parciais e, mais recentemente, incêndios. Exemplos não faltam: o casarão que desabou na Ladeira da Soledade em 2023; o fogo que destruiu parte do Solar do Unhão em 2021; e a série de imóveis degradados na Baixa dos Sapateiros, Barroquinha e Rua Chile, muitos dos quais sem uso definido ou preservação adequada.
Especialistas em patrimônio urbano alertam que a ausência de políticas efetivas de conservação e reocupação desses imóveis compromete não só a história da cidade, mas também a segurança de quem transita ou vive nessas áreas. Com a maior parte das edificações em situação precária, o risco de tragédias como a desta quinta-feira permanece alto — e recorrente.

















