Por volta das 10h30 da manhã desta terça-feira (16), uma queda de energia expôs uma grave falha estrutural em um dos principais centros comerciais de Salvador. A interrupção elétrica deixou sem iluminação setores importantes do shopping, afetando inclusive elevadores e escadas internas — especificamente o acesso lateral a uma clínica e a um restaurante de rede australiana.
As escadas, completamente às escuras, não contavam com qualquer sistema de iluminação de emergência acionado, nem mesmo com o apoio de lanternas ou orientação de funcionários. Um leitor do Boletim Bahia registrou a situação em vídeo. Durante a gravação, ao descer as escadas e tentar ativar a luz da câmera, ele acabou sofrendo uma queda e ficou machucado.
Ele foi inicialmente ajudado por um casal que passava pelo local e, em seguida, por um segurança que acionou o bombeiro civil do shopping. Já na enfermaria, recebeu apenas uma bolsa de gelo no local da dor. A única pergunta feita foi se ele possuía plano de saúde. Diante da resposta afirmativa, foi colocado em uma cadeira de rodas e conduzido até o estacionamento, onde estava seu veículo. Em nenhum momento foi avaliado por profissional de saúde qualificado, atendido apenas por uma auxiliar de enfermagem, tampouco houve questionamento sobre sua capacidade de dirigir naquele estado.
Horas depois, já em unidade hospitalar conveniada, foi constatada uma entorse no tornozelo. O paciente foi medicado e recebeu orientação de repouso por três dias.
Segundo o relato, outras quatro pessoas também teriam sofrido quedas nas mesmas escadas durante o apagão. Ainda assim, o shopping não interditou o acesso, tampouco posicionou funcionários para orientar o fluxo de pessoas no local. A administração informou apenas que arcaria com os custos de medicamentos, sem oferecer qualquer assistência logística ou médica além disso.
Norma técnica violada
O caso expõe uma possível infração à ABNT NBR 10898:2013/2023, norma que regulamenta os sistemas de iluminação de emergência em edifícios comerciais. Ela determina que, em situações de queda de energia, escadas, corredores e áreas de circulação devem possuir sistemas de iluminação autônomos — ou seja, que funcionem por baterias independentes — acionados automaticamente.
A norma estabelece que escadas devem ter iluminância mínima de 5 lux no piso durante o apagão, com sistema que entre em funcionamento em até 3 segundos e permaneça ativo por pelo menos uma hora. O uso de gerador não exclui a obrigatoriedade dessas luzes de emergência.
Além disso, o Corpo de Bombeiros exige a conformidade com essa norma para emissão do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento essencial para o funcionamento legal de qualquer estabelecimento comercial.
Providências
O leitor informou que irá protocolar denúncia junto à CEDU (Coordenação de Fiscalização de Obras e Posturas), vinculada à Prefeitura de Salvador, além de registrar um boletim no Corpo de Bombeiros, anexando o vídeo que comprova a ausência de iluminação e o acidente sofrido.
Ele destaca que o shopping não tomou qualquer medida preventiva para evitar novos acidentes: não interditou as escadas, não ofereceu suporte de iluminação, nem orientação por parte da equipe de segurança. O local continuou acessível mesmo após as quedas já registradas.
Conclusão
A falha no sistema de segurança do shopping coloca em risco direto a integridade física de seus frequentadores. A legislação é clara: locais de circulação devem estar equipados com luzes de emergência independentes da rede elétrica. A negligência demonstrada no caso vai além da omissão técnica — atinge também a falta de responsabilidade no acolhimento à vítima e na prevenção de novos acidentes.
Até que o problema seja corrigido e as exigências da norma atendidas, o mínimo aceitável seria a interdição imediata dos acessos escuros ou a alocação de funcionários com lanternas para garantir a segurança dos clientes. A expectativa é de que os órgãos fiscalizadores atuem com rigor para evitar que episódios como esse se repitam.




















