O Movimento Brasil Livre (MBL) deu um passo definitivo na formalização de sua atuação política ao fundar oficialmente o Partido Missão. A nova legenda nasce após um processo longo de estruturação, aprendizado e adaptação — e tem como meta central a eleição de deputados federais em 2026. A afirmação é do coordenador nacional do movimento, Ricardo Almeida, que destacou a consolidação de núcleos em diversos estados do país e o avanço da articulação política.
“Estamos em um processo de expansão nacional. Nossos núcleos estão capturando pessoas interessadas em integrar futuras chapas Brasil afora. Isso está acontecendo em tudo que é lugar. Na Bahia, por exemplo, já estamos em conversa com parlamentares eleitos e lideranças regionais que podem integrar uma chapa do Partido Missão em 2026”, disse Ricardo. Segundo ele, o movimento já estrutura chapas em vários estados e trabalha com foco definido. “Nossa estratégia central para 2026 é eleger deputados federais. As outras candidaturas são possibilidades, mas vêm em segundo plano. Isso não está fora do nosso jogo”, reforçou.
Ricardo também comparou a construção do Partido Missão ao fracasso de outras iniciativas. “Não tínhamos estrutura, máquina nem dinheiro — e mesmo assim conseguimos. Enquanto outros grupos tentaram criar partidos com tudo isso e não conseguiram, a gente fez acontecer com o que tinha. Foi um processo de aprendizado. Não era simplesmente ir para a rua com uma prancheta. Era entender quem éramos, quem era o nosso público e como tornar viável a criação do partido a partir disso”, explicou.
O nascimento do Partido Missão está diretamente ligado à trajetória de um grupo de jovens que, insatisfeitos com a política tradicional, foram às ruas ainda em meados da década passada. Entre os muitos movimentos que surgiram naquele período — como o Vem Pra Rua, Nas Ruas e Revoltados Online — o MBL foi o único que permaneceu ativo, consistente e com militância política contínua. Os demais ficaram pelo caminho, se desmobilizaram ou perderam relevância. O MBL resistiu a pressões, enfrentou perseguições tanto de governos petistas quanto do governo Bolsonaro, e manteve sua linha de atuação.
Houve mudanças de postura ao longo do tempo, como a adoção do uso do fundo eleitoral e reposicionamentos em determinadas pautas, mas a convicção de que a criação de um partido próprio daria autonomia real ao grupo foi o ponto decisivo. O objetivo: lançar candidatos sem depender de negociações com partidos tradicionais ou aceitar as amarras que esses impõem.
Andrei, presidente do Diretório Nacional do Partido Missão na Bahia, reforça essa virada institucional. “Agora temos uma plataforma política formal. Isso amplia nossa visibilidade e dá legitimidade ao trabalho que vínhamos fazendo”, disse.
Para ele, 2026 será o momento de mostrar força. “A eleição de 2026 deve marcar nosso protagonismo. Saímos da condição de movimento para assumir, de fato, a disputa por espaço político. Temos um discurso claro, coerente e necessário — e vamos colocá-lo em prática com uma estrutura partidária que nasceu da base, da militância, e da capacidade de organização em um ambiente hostil”, afirmou.
O Partido Missão, que já é uma realidade formal na política nacional, representa uma mudança de patamar. O grupo que antes era chamado de “molecada” pelos adversários agora tem uma legenda própria nas mãos e estará apto a disputar em pé de igualdade com qualquer outra força política em 2026. A promessa é de montar uma bancada combativa contra o que chamam de velha política — e de tirar o sono de muita gente no sistema.





















