O ex-comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Junior, afirmou nesta quarta-feira (21) que o almirante Almir Garnier Santos, que chefiava a Marinha, colocou a força naval “à disposição” do ex-presidente Jair Bolsonaro. A fala ocorreu durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga uma possível tentativa de golpe de Estado em 2022.
Segundo Baptista Junior, em uma das reuniões com os chefes militares, Garnier demonstrou uma postura bem diferente dos demais. “Eu, Paulo Sérgio e Freire Gomes sempre conversávamos, discutíamos mais, tentando convencer o presidente a desistir da ideia. E, em uma dessas conversas, o almirante chegou a dizer que as tropas da Marinha estariam à disposição do presidente”, relatou.
O brigadeiro também contou, em outro depoimento à Primeira Turma do STF, que ele e o então comandante do Exército, Freire Gomes, estavam alinhados contra a proposta golpista, enquanto Garnier mantinha uma posição isolada.
“Cheguei a dizer para ele que não existe nada pior para as Forças Armadas do que agir sem unidade. Talvez esse tenha sido o maior problema: Garnier não estava na mesma linha que eu e Freire Gomes”, afirmou Baptista Junior.
O ex-comandante prestou depoimento na condição de testemunha no inquérito, que tem como base uma denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR).















