A Justiça Militar de São Paulo condenou dois policiais militares acusados de participar de um esquema de extorsão contra vendedores ambulantes na região do Brás, conhecida pelo comércio popular. A decisão foi proferida na tarde desta sexta-feira (16) e ainda cabe recurso.
O cabo José Renato Silva de Oliveira foi condenado a seis anos, dois meses e 12 dias de prisão, em regime semiaberto, por envolvimento na formação de milícia privada. Ele também era acusado de roubo e extorsão, mas foi absolvido desses dois crimes.
A sargenta Lucia Ferreira de Oliveira também foi condenada pelo mesmo crime, recebendo pena de três anos, sete meses e seis dias, que deverá ser cumprida em regime aberto.
A defesa dos policiais pediu a absolvição durante o processo, alegando falta de provas suficientes.
Outros dois envolvidos no caso, o 1º sargento Wellington Stefani e o 2º sargento Humberto de Almeida Batista, tiveram julgamento suspenso na Justiça Militar após empate entre os juízes. Dois votaram pela condenação, um pela absolvição e outros dois consideraram que os crimes ocorreram fora do exercício da função. Agora, a Justiça comum dará prosseguimento ao processo contra eles.
A investigação teve início após a Corregedoria da PM encaminhar ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) um ofício relatando que policiais estariam exigindo pagamentos de ambulantes para que pudessem trabalhar na região. Em alguns casos, os valores cobrados chegavam a R$ 15 mil por ano e R$ 300 semanais. Quando os comerciantes não conseguiam pagar, eram levados a agiotas, que cobravam juros abusivos.
De acordo com o corregedor da PM, coronel Fabio Sérgio do Amaral, a atuação do grupo remonta a pelo menos 2023, com os policiais controlando o espaço como se fossem donos das ruas. Um dos cabos, inclusive, circulava pela área fardado e, nos dias de folga, voltava cobrando o dinheiro.















