Em conversa com o Boletim Bahia nesta quarta-feira (1º), o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), presidente estadual da sigla, comentou os recentes movimentos internos do partido na Bahia e a relação com os grupos políticos do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do prefeito Bruno Reis (UB).
Segundo Félix, parte do PDT baiano já integra oficialmente a base do governo estadual. Ele se refere ao seu grupo político, que decidiu apoiar Jerônimo Rodrigues. No entanto, o parlamentar ressaltou que outros setores da legenda, como os vereadores da capital inclusive Omarzinho, nome ligado diretamente a Félix e a vice-prefeita Ana Paula Matos, o deputado estadual Penalva e o deputado federal Léo Prates — todos ligados ao prefeito Bruno Reis e ao grupo de ACM Neto — ainda não fizeram esse movimento. “Essas conversas ainda vão acontecer”, afirmou.
Outro ponto relevante abordado por Félix foi o cancelamento da vinda do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, a Salvador. Inicialmente prevista para ocorrer hoje, sexta feira 02, a visita foi suspensa após um encontro de Félix, alguns representantes do PDT e o.governador aqui na cerimônia de adesão ao PT.
O que mais chamou atenção, porém, foi a crise instalada no plano nacional: o líder do PDT na Câmara dos Deputados, Guilherme da Cunha (MG), criticou publicamente o presidente Lula por não consultar o ministro Carlos Lupi sobre a nomeação do novo presidente do INSS. Em discurso, o parlamentar ressaltou que “Lupi indica, mas quem nomeia é o presidente”, e deixou claro que a atitude de Lula foi interpretada como o início de um processo de desgaste deliberado contra o pedetista.
Caso Lula não adote uma postura mais firme em defesa de Lupi, há quem aposte que o PDT poderá desembarcar da base do governo federal, assumindo uma posição de independência — ou até de oposição.
Esse cenário nacional pode ter reflexos diretos na Bahia. Se houver rompimento entre PDT e PT em nível federal, Félix Mendonça — hoje aliado de Jerônimo — pode se ver isolado. Afinal, o grupo ligado a Bruno Reis continua alinhado a Léo Prates, que é pré-candidato à reeleição como deputado federal e defensor da manutenção da aliança com o União Brasil.
Nos bastidores, especula-se ainda que, caso Ciro Gomes volte a ser candidato à presidência em 2026, o PDT terá de definir se apoiará o projeto nacional e, ao mesmo tempo, manterá o alinhamento local com Jerônimo. Ou seja: apoiar Ciro e Jerônimo simultaneamente, que têm perfis distintos, pode se tornar insustentável.
Diante de um eventual rompimento nacional com o PT, o PDT baiano pode se ver pressionado a lançar um nome próprio ao governo do estado — cenário em que Félix Mendonça despontaria como alternativa viável. Contudo, nesse caso, sua base ainda não estaria completamente consolidada.
Enquanto o impasse não se resolve, o partido caminha sobre uma corda bamba, com riscos reais de fragmentação. Os próximos capítulos definirão não apenas o rumo do PDT, mas também a reconfiguração das alianças na Bahia















