Diretamente de Roma, onde participará do conclave a partir de 7 de maio, o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, comentou em entrevista à Folha de S.Paulo que os cardeais irão escolher o próximo líder da Igreja Católica — e não alguém para comandar o mundo. Ele minimizou o impacto direto que questões globais, como guerras ou mudanças climáticas, possam ter sobre essa decisão.
“Tudo isso é importante e está no radar da Igreja, mas o papa é o pastor do povo católico. Os cardeais devem escolher quem vai guiar a Igreja, não um chefe de Estado global”, afirmou dom Odilo, de 75 anos.
Segundo ele, o maior desafio do novo pontífice será manter a unidade da Igreja e conduzir sua missão de fé e evangelização diante das realidades do mundo atual.
Dom Odilo será um dos 133 cardeais aptos a votar — originalmente seriam 135, mas dois não participarão por motivos de saúde. Entre os eleitores, sete são brasileiros. Ele e dom Raymundo Damasceno Assis já participaram do conclave de 2013, que elegeu o papa Francisco.
Apesar de dom Raymundo continuar fazendo parte do Colégio Cardinalício, aos 88 anos ele não tem mais direito a voto, permitido apenas até os 80 anos.
Nos dias que antecedem a votação, o clima entre os cardeais é de calma, segundo dom Odilo. Ele também refutou qualquer semelhança entre o conclave e uma eleição política, como mostrada em filmes: “Isso é fantasia. Não existem campanhas nem partidos.”
Questionado sobre possíveis surpresas, ele lembrou que, em 2013, o então cardeal Jorge Bergoglio foi eleito mesmo sem estar entre os nomes mais cotados pela imprensa. “A escolha é sempre aberta. Só saberemos quando sair a fumaça branca”, disse.
Em outra entrevista, ao jornal O São Paulo, ele foi ainda mais direto: “Durante os encontros, os cardeais conversam, sim, mas não há espaço para campanha. Isso é proibido e contrário aos documentos da Igreja.”
Embora tido como um pouco mais conservador que o papa Francisco, dom Odilo negou ter resistido à sua linha de atuação: “Sempre aceitei com alegria e lealdade as orientações do papa.”
Ao avaliar o legado de Francisco, ele destacou não só os escritos e discursos, mas também a atitude do pontífice diante dos pobres, sua luta pela paz e seu compromisso com o meio ambiente.
















