O que deveria ser a realização do sonho da casa própria tem se transformado em um pesadelo para muitos beneficiários do programa federal “Minha Casa, Minha Vida” na Bahia. Em diversos conjuntos habitacionais, o crime organizado impõe suas próprias regras, expulsando moradores e revendendo imóveis ilegalmente.
A situação ocorre há pelo menos oito anos em Salvador e também atinge municípios como Simões Filho, Feira de Santana, Santo Amaro da Purificação e Jequié. Em alguns casos, traficantes determinam quem pode ou não permanecer nos imóveis, ameaçando parentes e amigos de policiais ou qualquer um que considerem “indesejado”. As unidades desocupadas, por sua vez, são negociadas em sites de compra e venda, em um mercado clandestino que avança sem controle.
O domínio do tráfico sobre esses residenciais escancara a falha na fiscalização e a omissão do poder público diante da violência crescente. Para muitos moradores, viver em um imóvel do programa social significa conviver com medo, sem qualquer perspectiva de segurança ou estabilidade. Enquanto isso, o tráfico se apropria do que deveria ser um direito e transforma a moradia popular em mais um território sob seu controle.

















