Um empresário baiano foi mencionado no inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga a venda ilegal de joias pertencentes à Presidência da República, com os valores supostamente desviados para o patrimônio pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro. Estevão de Borba Avillez, apontado como um dos diretores da Go Daddy, maior registradora de domínio do mundo, é um dos personagens citados. Apesar de residir atualmente em Ontário, no Canadá, Avillez possui um endereço declarado no Conjunto dos Bancários, em Salvador.
Avillez é cunhado do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do esquema de vendas de joias e relógios de alto valor oferecidos ao Brasil pelo governo da Arábia Saudita. Ele é citado 15 vezes nas mais de duas mil páginas do inquérito. Em um trecho do relatório da PF, constam cinco folhas de papel escritas à mão, apreendidas na casa do pai de Mauro Cid, o general Mauro Cesar Lourena Cid, em Niterói. No documento, consta o endereço de Avillez no Canadá como destino de remessas não identificadas.
Eduardo Avillez, que já teve um pet shop no Stiep entre 2014 e 2016, visitou Mauro Cid no Batalhão de Polícia do Exército em Brasília após sua prisão no caso das fraudes de cartões de vacinação contra a covid-19. Registros do Ministério da Justiça indicam que Avillez retornou ao Canadá em 8 de agosto de 2023, mesma data em que o pai de Mauro Cid apagou todas as conversas no WhatsApp.
A PF revelou que Avillez fazia parte do “GT Mauro Cid”, grupo de WhatsApp criado pelo tenente-coronel, incluindo também dois advogados de defesa. Embora o relatório não o inclua na lista de indiciados, a ação de ocultação de provas por meio de diálogos apagados levantou suspeitas sobre seu possível envolvimento no esquema.
















