Aliados do presidente Lula (PT) enxergam a união das forças progressistas na França para impedir a vitória da extrema-direita no segundo turno das eleições legislativas deste domingo (8) como um “recado” sobre a necessidade de reforçar a aliança com o Centrão no Brasil.
Para assessores próximos ao presidente, a estratégia dos parlamentares de centro na França, que cederam espaço à esquerda para barrar a extrema-direita, sugere um cenário inverso no Brasil: uma possível aliança entre o Centrão e a extrema-direita nas futuras eleições, já que atualmente essas forças mantêm proximidade, mesmo após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022. Por isso, Lula deve buscar aproximação com o Centrão para evitar o retorno da direita e da extrema-direita ao poder.
Na noite deste domingo, Lula comemorou a união das forças de esquerda e centro na França em uma postagem no X, antigo Twitter, afirmando que a aliança progressista francesa deve servir de exemplo.
União na França
Em vários distritos franceses, candidatos de centro e esquerda avaliaram suas posições e aqueles menos favorecidos abriram mão de suas candidaturas, unindo-se em um nome único da aliança para derrotar o oponente da extrema-direita.
A estratégia funcionou. A coalizão de esquerda Nova Frente Popular (NFP) conquistou 182 dos 577 assentos na Assembleia Nacional. A aliança governista de centro-direita, do presidente Emmanuel Macron, obteve 168 cadeiras, enquanto o Reunião Nacional, de extrema-direita, ficou com 143.
Durante a semana, projeções indicavam que o Reunião Nacional poderia conseguir a maioria absoluta na Assembleia, atingindo as 289 cadeiras necessárias para assumir o poder no país. No entanto, como nenhum partido alcançou esse número, especula-se que os grupos com mais cadeiras, esquerda e centro, devem formar um governo de coalizão, deixando a extrema-direita fora do poder.

















