Uma atmosfera carregada de tensão e discordância marcou a reunião do Comitê de Auditoria Estatutário da Petrobras, ocorrida na semana seguinte ao Carnaval, em meio a um acalorado debate sobre a aprovação de um negócio que promete trazer consideráveis prejuízos para a estatal.
Segundo informações da revista Piauí, o ponto central da controvérsia foi a aprovação de um contrato com a petroquímica Unigel, que acarretará um déficit estimado em 487,1 milhões de reais para a Petrobras. O acordo implica o pagamento de 759,2 milhões de reais à Unigel para a produção de fertilizantes sob encomenda, utilizando o gás natural fornecido pela estatal e suas próprias fábricas na Bahia e no Sergipe. Esta modalidade de contrato, conhecida como tolling, gerou questionamentos sobre sua viabilidade econômica, especialmente considerando o cenário de baixos preços globais dos fertilizantes.
Além das preocupações financeiras, o contrato também chama atenção devido a um contexto político envolvido: uma relação de longa data entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o proprietário da Unigel, Henri Armand Szlezynger, de 87 anos. A empresa, que enfrenta uma séria crise financeira, vê nesse acordo uma oportunidade para sua recuperação.
O negócio foi formalizado em dezembro do ano anterior, em um período entre o Natal e o Ano-Novo. A revista Piauí destaca a relação estreita entre a Unigel e o PT da Bahia, com significativas doações eleitorais ao longo dos anos. Após a proibição de doações empresariais pelo Supremo Tribunal Federal em 2015, Szlezynger continuou seu apoio financeiro de forma individual a candidatos do partido.
Procurados pela revista, políticos como Rui Costa e Jaques Wagner não comentaram a reportagem. Em nota à Piauí, a Petrobras afirmou estar focada na produção de fertilizantes, considerando a competitividade do negócio e a descarbonização. A Unigel, por sua vez, destacou que o contrato de tolling foi uma iniciativa da Petrobras para manter a operação das plantas de fertilizantes nitrogenados.
A revista ainda destaca a crença da Unigel na sensibilização do Governo Federal e da Petrobras quanto às políticas de preço do gás natural, essenciais para a competitividade da indústria nacional.
Este embate evidencia não apenas os desafios econômicos da Petrobras, mas também as complexas dinâmicas políticas e empresariais que influenciam suas decisões estratégicas.















