O ex-presidente do PT e ex-ministro da Casa Civil no primeiro mandato de Lula, José Dirceu, lançou críticas contundentes, apontando para possíveis problemas no partido e no governo federal. Durante um encontro da corrente Avante PT, ala mais à esquerda da legenda, realizado em São Paulo na noite desta sexta-feira (24), Dirceu expressou suas preocupações, insinuando um possível “fogo amigo” contra o PT.
“Hoje o PT é o partido de maior apoio popular, de melhor imagem, mas o partido não é nem 10% do que devia ser. Nós temos um problema sério, no PT e na esquerda”, declarou Dirceu. Ele destacou problemas de governabilidade, organização e avaliação nos ministérios do governo. Além disso, apontou a falta de mobilização do partido em temas cruciais, como a política de juros do Banco Central e as pautas ambientais.
Dirceu criticou o adiamento da eleição da presidência nacional do partido para 2025, classificando como “um fracasso” as manifestações de Primeiro de Maio e mencionou o bom desempenho da direita nas eleições dos conselhos tutelares. Questionando a relutância em debater esses problemas, ele ponderou: “Onde se discute isso? Ou não é para discutir e fazer de conta que está tudo bem? Ou não se pode discutir mais?”
O ex-ministro alertou para as possíveis consequências da falta de mobilização e debate, somadas ao embate entre Lula e o presidente da Câmara, Arthur Lira, abrindo oportunidades para a direita. “Eu sou da opinião de que nós precisamos nos debruçar sobre o problema do partido. Não vamos tapar o sol com a peneira. Nós não aguentamos o tranco da direita como nós estamos. E a direita vai nos dar um tranco”, afirmou.
Diante desse cenário, Dirceu defendeu uma perspectiva de médio prazo para o PT, alertando que uma mudança na correlação de forças em Brasília pode ser necessária para evitar derrotas futuras. “Temos que mudar a correlação de forças e mudar nosso partido. A não ser que a gente queira governar que está bom como estamos governando. Sabemos que não está. Isso não quer dizer que nosso governo não produziu grandes avanços e foi uma vitória extraordinária derrotar o bolsonarismo”, concluiu ele, ressaltando uma postura realista diante dos desafios.
















