Augusto Aras conclui seu segundo mandato como chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), buscando desfazer a percepção de leniência em relação aos abusos de Jair Bolsonaro e sua resposta à pandemia da Covid-19. Sua gestão encerra-se nesta terça-feira (26), e o presidente Lula ainda não indicou um substituto, cujo nome será submetido ao Senado Federal, conforme relato do jornal Folha de S. Paulo. A PGR será temporariamente liderada por Elizeta Ramos, subprocuradora-geral e atual vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal.
Desde o retorno de Lula à presidência, Aras intensificou seu discurso, afirmando que não foi condescendente com poderosos e com as inclinações golpistas de Bolsonaro e seus aliados. Em uma de suas últimas declarações, Aras mencionou que seus dois mandatos foram marcados por desafios “envoltos em incompreensões e narrativas falsas”.
Essa declaração foi feita no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) na última quinta-feira (21), diante de ministros que, em algumas ocasiões, cobraram uma atuação mais efetiva do chefe da PGR, especialmente em relação à inação de Bolsonaro diante da pandemia.
De acordo com a Folha, essas cobranças não se limitaram aos bastidores. Juízes do STF criticaram publicamente os métodos da PGR sob a liderança de Aras, incluindo as chamadas “apurações preliminares” conduzidas pelo órgão sem supervisão adequada da corte.
Em sua despedida do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) na segunda-feira (25), Aras reafirmou seu papel como defensor do “equilíbrio democrático” no país. Ele chegou ao topo da carreira do Ministério Público Federal (MPF) em 2019, sem passar pela votação interna tradicionalmente conduzida pela entidade representativa da categoria, contando com apoio de políticos próximos a Bolsonaro.





















