Criminosos utilizam site patrocinado no Google, documentos falsificados e lotes atrativos para seduzir e enganar pessoas inocentes; uma vítima compartilha sua experiência chocante.
No setor com alta circulação de dinheiro, criminosos têm se aproveitado da reputação e integridade do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) para realizar golpes extremamente elaborados, disfarçados como leilões legítimos.
Utilizando um site com domínio que inclui “.gov” e sendo o primeiro resultado de busca no Google sobre o tema – graças ao conteúdo patrocinado -, os golpistas conseguem criar uma aparência de confiança inabalável. A engenhosidade não para por aí: a plataforma falsa segue todos os padrões do site oficial, incluindo login, detalhamento de lotes e documentos timbrados.
Um dos golpados foi o médico anestesista Bruno Beraldi, que relatou sua experiência ao Metro1. Por prestar atenção aos detalhes, ele não sofreu danos financeiros. Bruno costuma pesquisar os leilões disponíveis e, no dia 19 deste mês, sua busca o levou ao site falso, que era extremamente semelhante ao oficial. Ele criou uma conta, fornecendo todos os seus dados pessoais, e, 24 horas depois, recebeu uma confirmação de que estava apto para participar dos pregões.
“Uma parte do golpe foi essa. Eu cedi meus dados: CPF, RG, endereço residencial, CNH. Depois recebi o e-mail de confirmação de que eu estava apto para participar do leilão. Então, até essa burocracia eles inventaram”, relatou Bruno.
Ao acessar os lotes, Bruno percebeu que os valores estavam muito abaixo do normal para carros em perfeito estado. Ele escolheu um veículo do lote, um Equinox 2.0 16v Turbo Premier, modelo 2019, avaliado em R$ 144 mil pela tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
Durante o leilão, apenas um participante fez um lance, e Bruno decidiu cobri-lo oferecendo R$ 63 mil. Com essa oferta, ele arrematou o veículo, mas algo parecia bom demais para ser verdade. “Um carro de 2019 por quase 50% do valor, achei estranho. Sem contar que não era normal não haver concorrência no leilão”, disse Bruno.
Desconfiado, Bruno começou a investigar a confiabilidade do negócio e encontrou várias inconsistências, como o domínio do site, que tinha “.org” em vez de “.gov”, a falta de homologação do TJ-BA e a impossibilidade de encontrar o leilão no site da Transalvador. Ele tentou registrar um boletim de ocorrência online, mas não teve sucesso. Em vez disso, entrou em contato com a ouvidoria do Detran e pediu a um amigo para ir pessoalmente ao SAC do órgão para relatar o caso.
Orientações:
O Detran informou que está ciente do golpe e está tomando medidas administrativas e jurídicas para combatê-lo. No mesmo dia em que Bruno Beraldi relatou o ocorrido, uma página no site do órgão foi criada para orientar as vítimas sobre o assunto. O Detran aconselha que as vítimas se dirijam à Delegacia Especializada de Estelionato e Outras Fraudes (DREOF) para registrar o boletim de ocorrência e entrem em contato com o banco responsável pela retirada dos valores.
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