
Oiiieeee!
Como vão? Como passaram o fim de semana do Dia das Mães? Espero que em paz! Eu passei do jeito que gosto: com a família reunida. Agradeci MUITO ao Senhor por estarmos vivos, com saúde e comemorando juntos. O almoço aqui em casa saiu bem tarde, às 17h. Automaticamente lembrei-me dos almoços aos domingos na casa dos meus avós maternos, lá no Berimbau, onde reuníamos uma parte da família e ficávamos por hooooras esperando uma tia, que morava em Feira de Santana, chegar. Mas, no final, dava tudo certo! 😀
Como hoje é dia de #Tbt (Throwback Thursday) e a minha coluna não coincidentemente é às quintas-feiras, darei continuidade sobre essa fase da minha vida.
Conceição do Jacuípe – BA fica a 101 km de Salvador. É um município da Região Metropolitana de Feira de Santana. Localizado na porção norte do Recôncavo Baiano, famoso por sua tradicional festa de São João. Possui 33.631 de habitantes (população estimada 2021). Foi batizado como Berimbau, devido à feirinha surgida em 1914, que servia para a comercialização de pequenos produtos, sendo visitada por violeiros, pandeiristas e tocadores de berimbau, surgindo, entre eles, um que fez uma trova cujo final falava da “Feira de Berimbau”. | (Fonte: Google).
O Berimbau, para mim, sempre foi resumido à casa dos meus avós, que era enorme! Tinha quatro quartos, duas salas e uma outra casa, que a vida toda chamamos de “Casa Velha”. Ainda tinha um quintal com muitas árvores: Goiaba, Manga, Carambola, Sapoti, Jambo, Abacate, Cacau, Tamarindo, Siriguela, Morango, Jaca (essa jaqueira tinha era história!). Lá pelos anos mil novecentos e bolinha, o meu avô precisou derrubar o pé de goiaba, que era o que a gente mais gostava, para poder construir a garagem. Ficou com vaga para 5 carros e na lateral, indo para a casa velha, colocou piso e cobriu. Usávamos esse espaço para circular e brincar.

O quintal foi palco de muitas histórias! Ali andamos muito de velotrol, bicicleta, brincamos de pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, garrafão, vôlei, subíamos nos pés de manga, tínhamos medo da jaqueira à noite, tomamos muitos banhos de mangueira… Olha, a gente viveu TANTA coisa nessa casa, que eu levaria meses para contar algumas delas.

São João da nossa infância sempre foi no Berimbau. Era maravilhoso!

Como nasci na véspera de São Pedro, também comemorei alguns aniversários por lá.



Meus avós (também padrinhos) moravam sozinhos naquela casa gigante. Só depois de adulta pude parar para refletir o quão feliz eles ficavam quando os netos e filhos chegavam, pois preenchia o espaço. E o quão triste eles deveriam ficar, quando se despediam. Era aquela cena clássica de filme: a gente dentro do carro, olhando para trás e dando tchau, enquanto eles estavam em pé, também acenando, na frente da casa. E iam diminuindo de tamanho, até não conseguirmos mais vê-los. Eles sempre nos recebiam com o riso largo. Sempre tinha um pacote de nego bom (amo esse doce!) para distribuir para os netos, que não eram poucos! A minha mãe tem 07 irmãos. A família é grande! 😀


Na páscoa sempre ganhávamos ovos, chocolates… Era bom demais!!! ♥ E o bife de panela da minha vó? Vocês não fazem ideia! Quando íamos para Valença, dormíamos lá para, no dia seguinte, bem cedo, seguirmos viagem. A minha vó preparava esse bife de panela e colocava dentro do pão francês, para comermos no carro. Meu Deus!!! Lembrei-me do sabor aqui…
Meus avós foram casados por 53 anos. Tive a honra de poder vivenciar as Bodas de Ouro deles, que foi um evento inesquecível na cidade e para todos nós, da família.

Meu avô Francisco, mais conhecido como Zinho do Boi, era esbelto, tinha uma postura de dar inveja, só andava de bicicleta, era de pouco falar, só tomava banho de cuia, embora tivesse chuveiro, e sempre puxava o dedo polegar do meu pé, quando eu estava deitada naquele sofá laranja com listras pretas, assistindo TV. 😀 E me perguntava: você é essa ou aquela? Referindo-se a mim e à minha irmã. 😀 Em determinado horário, tinha que liberar a única TV da casa, pois ele, depois do jantar, sentava na poltrona (de mesmo tecido do sofá), para assistir ao Jornal Nacional (e adormecia com o palito na boca). Era sagrado! E todos respeitavam! Nesse horário, estávamos todos reunidos na cozinha conversando (filhos e netos) ou então os adultos por lá e a gente, as crianças, em um dos quartos (no 2º ou no 3º) brincando. Ô época boa… Ele faleceu em 16 de novembro de 1994. Recebeu algumas homenagens… Uma rua da cidade tem seu nome. Em 2007 foi inaugurado o Centro de Abastecimento Francisco Augusto Costa, que conta com 41 boxes para a comercialização de carnes e 1,9 mil metros quadrados de área coberta para feira livre. Este ano passou por uma reforma e foi, mais uma vez, lembrado, mais do que merecidamente!


A minha vó Luiza, Dona Lulu, era uma mulher mais dura, já não tinha a mesma postura (coluna) do meu avô, tinha as pernas bem grossas (bonitas) e uma máquina de costura. Nos presenteou bastante com seus trabalhos. Adorava passear de carro e comer comidas que ela não podia. rs. Sempre fazia as comidas gostosas. Comida de vó, vocês sabem como é! Ela faleceu no dia 12 de janeiro de 2003. Infelizmente ela se foi comigo massageando seu coração, na tentativa de salvá-la. Foi horrível sentir seu coração parar de bater. E ainda eu tive que, paralelo a isso, acudir a minha mãe, que estava branca, desesperada, com toda aquela situação, que não era pra menos. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida!
Estávamos na casa de praia, passando as férias na Bahia, pois morávamos em Brasília – DF nessa época, quando a minha tia Eusa (Dra Raimunda Francisca, renomada Ginecologista em Feira de Santana) ligou para a minha mãe, pedindo que voltássemos pela estrada, para que pudéssemos passar no Berimbau, pois a minha vó não estava muito bem. A minha tia, na condição de médica, já sabia que ela iria morrer. A minha mãe não pensou duas vezes e disse que ficaria por lá. De última hora, decidi ficar também. O meu pai e meus dois irmãos seguiram para Salvador. Foram 07 dias na casa da minha vó, com a minha mãe e duas funcionárias. Foram os dias que precisei para arrumar a casa… Literalmente!
Quando chegamos, a minha vó mal tinha forças para segurar um copo. Minha mãe assumiu essa parte da alimentação e então ela passou a comer igual criança: comida feita do dia. Passou uma semana comendo saudável. Em poucos dias, já conseguia segurar o copo, prato… Dormiu todos esses dias comigo e com a minha mãe ninando ela e após receber massagem que eu fazia.
O nosso amado quintal estava irreconhecível. Fui logo pegando uma vassoura (amo varrer! :D), como sempre fiz quando criança, juntando os montes de folhas, para depois as meninas colocarem nos sacos e então jogar fora. Logo já ficou com outro aspecto! Consegui um senhor para recolher os entulhos que estavam por lá e o quintal voltou a ser o que era! Peguei a minha vó, na cadeira de rodas, e a levei para vê-lo arrumado. Lembro-me do quanto ela ficou feliz! ♥
Organizei a cristaleira, arrumei a porta dos fundos que estava há meses sem trancar!!! Ou seja, a casa estava com acesso a qualquer pessoa e a gente não fazia ideia. Deus cuidou, viu?! Obrigada, Senhor! E foi uma BOBAGEM para consertar. Eu mesma o fiz! Arrumei a suíte da minha vó. Tirei a cama do quarto dela e troquei por uma nova, que estava no segundo quarto. Preguei na parede um crucifixo grande, bonito… Arrumei a cômoda com as roupas dobradinhas. Coloquei uma das meninas para limpar o lustre (eram gotas de vidro). Puxei a cadeira de rodas da minha vó para ela ver a cena da menina limpando e morrendo de medo de quebrar. A gente riu demais! Mas não quebrou nada não! Bom… A casa ficou um brinco! Acredito que ela tenha ficado aliviada com essa limpeza, pois sua casa sempre foi impecável.
Mal eu sabia que estava arrumando tudo, para que a minha avó pudesse partir… O quarto com a cama nova foi onde ela “adormeceu” e onde o padre fez algumas orações. O caixão ficou na sala, exatamente embaixo do lustre, que estava brilhando de tão limpo, onde foi realizada a missa de corpo presente. Eu jamais poderia imaginar nada disso…
Não obstante, eu sei que a minha vó descansou… Depois que já haviam ajeitado ela todinha no caixão, fui deitar em sua cama. Poucos minutos depois vi uma “fumaça” subindo do chão e passando pelo basculante. Arregalei os olhos, para ver mais de perto. Olhei para o chão, achando que o padre pudesse ter esquecido a vela por lá. Mas nada tinha. Depois pensei que pudesse ser alguém fumando, embora não houvesse nenhum cheiro. Levantei da cama e corri para ver se tinha alguém com cigarro, mas não tinha absolutamente ninguém. Óbvio… Isso nem fazia sentido, pois a fumaça saiu do chão do quarto. Não dava mais para fingir o que eu havia presenciado. Essa experiência espiritual foi uma de algumas que vivi, e, ao longo do tempo, irei explanar por aqui.
Hoje a casa dos meus avós já não existe mais. Virou comércio. Nos restam as lembranças… Milhares delas! A minha infância/adolescência foi perfeita! Recentemente falei isso com a minha mãe: Não temos, eu e os meus irmãos, do que nos queixar. Graças a Deus!!! Ela e o meu pai nos deram o melhor que puderam e, graças a eles, construímos muitas memórias afetivas. ♥

A vida é um ciclo… A gente nem imagina o que vem pela frente. Foram anos maravilhosos, mas que simplesmente acabaram. Assim… De uma hora para outra! E infelizmente não voltam mais! Assim é a vida… Sou grata a Deus por eu ter estado com a minha mãe em um momento tão delicado da sua vida, onde ela perdia a sua mãe, e por ter passado uma semana inteira organizando, limpando e arrumando a casa dos meus avós.
Confesso que escrever tudo isso me fez ter um misto de sentimentos… Me emocionei bastante, senti frio na barriga, sorri com as lembranças e me peguei, por muitos momentos, parada, lembrando-me dessa época da minha vida, mas me comprometi que assim eu faria por aqui… Me entregaria de corpo, alma e coração!
Nos encontramos próxima quinta… Que Deus abençoe!
Um xêro! ♥
















A presença física da minha amiga assusta, eu sei! Uma mulher lindaaaa e cheia de tatuagens, afugenta! Eu sei! Mas basta um minuto, para se apaixonar, quando se lê o CORAÇÃO E AS AÇÕES dia a dia de honestidade e AMOR.
É uma honra ser AMIGA dessa GAROTA-MULHER.
Aguardem!
Vocês irão surpreender com as histórias dela e acreditem, tudo é uma lição.
Só VOA, minha irmã!
Te amamos.
Xêro meu e de sua sobrinha amada.
Ohhh, minha amiga… Como é maravilhoso ter amigos! Sou grata a Deus por você ter entrado em minha vida! Obrigada pelas palavras e pela amizade de sempre! Amo você e minha sobrinha!♥️😘
Que prazer ler essas palavras que me arrebataram para as minhas lembranças de infância.
Apesar da nossa diferença de idade ser de uma década é bem parecido. E minha mãe fazia bife de panela e colocava no pão francês e íamos para Água Mineral. Meu pai ficava na espreita vigiando a gente na água, tipo salva-vidas.
A história com o desenlace de sua avó é especialmente linda. Estamos onde precisamos estar.
Amo você.
As lembranças de momentos que se eternizaram são os que nos restam. Contar histórias da nossa vida nos faz reviver e manter viva essas memórias. Sempre tive um certo receio de perdê-las. O bife de panela é sensacional! 😍 Fico feliz em ter te remetido à boas lembranças, especialmente com o seu pai. É verdade, minha amiga, estamos onde precisamos estar!♥️😘
Felicidades em poder ter uma colunista amiga e tão profunda reflexão como vc
Ahhhh, meu amigo… Muito obrigada! Sou grata demais pela confiança depositada em mim. Tô MUITO feliz!