Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) relacionada à Covid-19 já causaram a morte de 1.335 crianças menores de cinco anos desde o começo da pandemia, segundo boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Das crianças que vieram a óbito, 875 tinham menos de um ano.
Além disso, a doença já levou à hospitalização de 21.392 crianças com menos de cinco anos. Conforme o Instituto Butantan, os números podem ser ainda mais elevados, já que a testagem para o novo coronavírus é realizada aquém do necessário no Brasil. Atualmente, a Coronavac, produzida no país pela instituição, tem aplicação autorizada a partir dos seis anos. O imunizante da Pfizer, por sua vez, está liberado a partir dos cinco anos.
O Butantan informou que, nas próximas semanas, pretende solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a autorização para uso da Coronavac a partir dos três anos.
De acordo com a instituição, estudos científicos já comprovaram a segurança e imunogenicidade da vacina a partir da referida idade, como os ensaios clínicos de fases 1 e 2 feitos pela Sinovac e publicados na The Lancet Infectious Diseases.
Com base nesses dados, países como China, Chile, Colômbia, Tailândia, Camboja, Equador e o território autônomo de Hong Kong já aplicam o imunizante nessa faixa etária.
O Butantan ressalta que uma das consequências mais severas da covid é a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), condição que acomete principalmente crianças não vacinadas. Segundo o instituto, mais de 1,5 mil crianças e adolescentes de zero a 19 anos já foram afetados pela síndrome no Brasil.
Além disso, ainda segundo a entidade, outras outras pesquisas indicam que a Coronavac protege uma faixa etária ainda mais ampla, a partir dos seis meses de idade. Parte de um ensaio clínico de fase 3 conduzido pela Sinovac com 4 mil crianças de seis a 35 meses apontou que a vacina é segura e não causou nenhuma reação adversa grave.
Outro trabalho, realizado por pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com 27 crianças de sete meses a cinco anos, concluiu que a vacina do Butantan é segura e eficaz para esse público.
A baixa incidência de efeitos colaterais é uma das características das vacinas de vírus inativado, como a Coronavac, já que nessa condição o vírus é incapaz de se replicar no organismo. Um estudo em Hong Kong revelou que o imunizante tem 83% menos chance de provocar reações adversas do que vacinas de RNA mensageiro (mRNA).
Fonte:atarde.com.br




















