O Índice FipeZap de Locação Residencial, que mensura o preço médio do aluguel de imóveis anunciados em 25 cidades brasileiras, encerrou dezembro de 2021 com alta acumulada no ano de 3,87%, variação inferior à inflação calculada pelo IPCA/IBGE (10%) e IGP-M/FGV (17,7%) no mesmo período.
Considerando apenas as capitais, o maior aumento registrado foi em Curitiba (14,1%), no Paraná. Na capital baiana, o índice ficou em 4,73%, segundo dados do portal especializado na internet, com os bairros do Caminho das Árvores (22,3%), Graça (20%) e Itaigara (10,7%) liderando entre os com maiores reajustes.
De acordo com analistas ouvidos pela reportagem de A TARDE, do período anterior à pandemia até o mês passado, o preço de aluguel de apartamento em Salvador cresceu em média 10%; 30%, se casa –, de Lauro de Freitas até o litoral norte.
Mas cada caso foi um caso, explicam. Em um cenário de crise econômica, desemprego, queda na renda e alta do custo de vida, a palavra de ordem no setor foi de “calma, cálculo e bom senso”, afirma Neuza Marques, sócia na NNova Netimóveis.
Com 1.250 locações ativas, além dos inativos (aguardando para ser alugado), e 30 colaboradores dedicados somente a administrar esses imóveis, Neuza conta que possui hoje um setor só para cuidar de negociação, e fala que cada caso é avaliado. Esse trabalho de retenção resulta, às vezes, em não promover reajuste, ou, até mesmo conceder desconto.
Representante do Conselho Regional de Corretores de Imóveis na Bahia (Creci), ela diz que em 99,9% dos contratos o índice de correção utilizado é o IGP-M – que nos últimos três meses de 2021 acumulou alta de 19,2% –, mas que, na pandemia, em apenas 5% foi utilizado.
“De um lado tem o proprietário precisando de renda, do outro o inquilino pedindo para sair. E a alternativa tem sido utilizar o IPCA (média de 10,4% no último trimestre). Temos uma meta para um imóvel não ficar vago”, diz Neuza, destacando que o tempo médio de permanência de um inquilino é de 24 meses.
“Às vezes, nem reajusta, e ainda oferece um desconto. Cada caso é um caso. Não pode ter retrabalho. Leva-se em conta o imóvel, o comportamento do inquilino, se é uma pessoa que dá muito trabalho; o mercado ali naquele determinado endereço. Se o locatário sai, ninguém ganha, e o inquilino tem custo com mudança.”
Aumento “comedido”
Coordenador de pesquisas da Fipe, Bruno Oliva fala que, de um modo geral, e “considerando os outros preços da economia (medida pelo IPCA, por exemplo) o aumento dos preços dos aluguéis foi comedido”. “Esse resultado era esperado, um aumento de preços, mas inferior ao IPCA”, diz.
“Isso, claro, não significa que o aumento não represente uma pressão no orçamento das famílias. Em geral, o aumento do preço de bens e serviços acaba por pressionar o orçamento das famílias, particularmente o das famílias com menor poder aquisitivo e, nesse caso, aquelas que pagam aluguel”, afirma.
Economista, sócio na imobiliária 100% digital EXP Brasil, o corretor Anderson Ventin é especialista no mercado de Lauro de Freitas e região, e fala que a grande demanda por casas na região levou ao aumento dos preços de aluguel na ordem de 30%.
“Nesses casos, não foi índice (de reajuste), mas demanda mesmo. Três, quatro meses depois de decretado o início da pandemia, o isolamento social, começou o aumento da procura. Quem tinha poder aquisitivo optou por condomínio, local com internet boa, e infraestrutura de lazer”.
“Com relação aos apartamentos, a média de reajuste em 10% foi algo razoável, mas também aumentou a demanda. Ou seja, houve todo esse movimento em virtude não só da crise sanitária, mas também econômica”.
“Teve quem saísse de imóvel grande para um mais em conta, e esse grande ficou vago por um período, e o preço permaneceu estável. Teve quem optou por um up grade, ou seja, saiu de um imóvel pequeno por um mais espaçoso. Tudo isso influenciou o mercado”.
Ventin diz que tem imóvel alugado de R$ 700 a R$ 12 mil mensais. “O dinheiro está nas mãos das pessoas, mas cada um cada um. Há quem tenha deixado um apartamento vazio na Pituba, e alugado uma casa na Linha Verde (litoral norte). Quem tenha deixado um aluguel de R$ 3,5 mil, perto da praia, e mudado para um quarto e sala de R$ 900”.
“Muita gente querendo enxugar custos. Ao invés de um aluguel de R$ 3 mil, de uma casa com três quartos, 115 metros quadrados, e lazer completo, por um dois quartos, de 45 m², mínima infraestrutura, tudo por uma folga no orçamento”.
Ventin conta ainda que, durante a pandemia, também houve flexibilidade da multa contratual, que é quando um inquilino suspende o contrato antes do prazo estabelecido. “Melhor pegar de volta do que correr o risco de não receber”.
Antecipe-se
Com a alta dos preços de alimentos, gás e energia também subindo sem parar, para quem tem contrato de aluguel pelo IGP-M, a recomendação é negociar antes do reajuste
Orçamento
Locatários ainda sentem os efeitos econômicos da pandemia, o que tem levado muitos proprietários a negociar descontos no aluguel e até a cancelar o reajuste
Comprove
A Lei do Inquilinato permite que acordos sejam feitos a qualquer momento. A negociação pode incluir a apresentação de documentos que comprovem a queda da renda ou a incompatibilidade dela com o reajuste.
Fonte: atarde.com.br


















