Quinze dias após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ser notificada sobre a descoberta da Ômicron no Sul da África, as incertezas em relação à nova variante da Covid-19 ainda são muitas. Os primeiros sinais que emergem do continente africano, onde estão concentrados 46% de todos os casos confirmados da cepa, são mistos: se ela parece ter ao menos algum grau de escape vacinal e maior transmissibilidade, também aparenta causar quadros mais leves da doença.
O número de pessoas diagnosticadas com Covid no território da África do Sul, o primeiro país a detectar a Ômicron, aumentou 255% na última semana, disse o braço regional da OMS nesta quinta. Não se sabe quantos deles foram infectados com a nova cepa, pois o sequenciamento do vírus é feito em apenas uma parcela das amostras, mas especialistas creditam a nova onda ao menos parcialmente à variante.
Em um mês, entre 8 de novembro e 8 de dezembro, a média móvel sul-africana disparou de 264 casos diários para 13,5 mil. A tendência é que haja uma nova alta nesta semana, após 22.391 mil infecções serem detectadas nesta quinta-feira. A onda atual já ultrapassa a primeira vista no país, entre julho e agosto de 2021, quando a média móvel de casos chegou a um pico de 12,5 mil.
O surto atual ainda é mais brando que os dois mais recentes, quando a média de casos chegou à casa dos 19 mil antes de cair. As mortes, por sua vez, continuam a ser uma fração do registrado em outros momentos — um possível sinal de que os sintomas da Ômicron são mais amenos que os causados por outras cepas.
No primeiro surto sul-africano de Covid-19, a média móvel de mortes diárias chegou a 297 e, nas ondas seguintes, a 577 e 419, respectivamente. Hoje, o país registra em média 23,86 mortes por dia, ou 0,4 para cada milhão de habitantes. A taxa do Brasil, que na quarta teve seu menor número de óbitos desde abril de 2020, é de 0,86. Até o momento, nenhum país registrou mortes causadas pela Ômicron.
Tanto as autoridades quanto a OMS destacam que ainda é cedo demais para tirar conclusões sobre a Ômicron, mas há outros sinais que indicam a ocorrência de casos menos graves em território sul-africano. Apenas 6% dos leitos de terapia intensiva do país, por exemplo, estão ocupados por pacientes com Covid, disse Thierno Balde, do braço regional da organização sanitária.
Menor necessidade de O2
Dados preliminares do Instituto Nacional para Doenças Comunicáveis referentes à região de Tshwane, que inclui Pretória, o epicentro da quarta onda sul-africana, mostram pouco mais de 1,6 mil internações por Covid entre 14 de novembro e 8 de dezembro. Destes, 31% foram casos graves, ou seja, que precisaram receber oxigênio ou serem postos em respiradores artificiais.
Na primeira onda do vírus, 67% dos casos foram considerados graves e na segunda, 66%. A organização alertou que o estudo tem limitações e que a gravidade pode aumentar conforme a quarta onda avança, mas as descobertas coincidem com os relatos de médicos locais.
A vizinha Botsuana, por sua vez, não viu um aumento das internações nas últimas duas semanas. Na quarta, havia apenas um paciente de Covid ocupando leitos de terapia intensiva, e a maior parte dos casos graves foram identificados em pacientes não vacinados — 21,6% da população do país completaram seu ciclo de imunização, segundo o site Our World in Data. Até o momento, há 25 diagnósticos confirmados da Ômicron no país.
Fonte: oglobo.com
















