Ciclistas reclamam dos constantes assaltos que sofrem e do medo que sentem ao sair para pedalar
Está cada vez mais comum sair nas ruas e ver pessoas andando de bicicleta. Salvador segue essa tendência e já conta com quase 300 quilômetros de ciclovias. Somente no ano passado, foram implantados mais de 40 km de rede cicloviária, em locais como as avenidas Tamburugy, Paralela e Orlando Gomes. Mas não são só os ciclistas que estão comemorando o benefício. Quanto mais bicicletas nas ruas, mais os criminosos fazem a festa. Os relatos de furtos e roubos desse meio de locomoção, cujos preços padrões variam entre R$ 800 e R$ 10 mil, estão cada vez mais frequentes, gerando insegurança para quem quer se locomover, se exercitar ou aproveitar um momento de lazer.
Pedalar é uma verdadeira paixão para muita gente. O meio ambiente agradece e a saúde também. Mas, ao sair de casa, além da bicicleta e dos equipamentos de segurança, é preciso levar ainda muita coragem. Segundo dados do Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas, iniciativa da sociedade civil, Salvador está em 23º lugar no ranking de cidades com mais ocorrências registradas no site, totalizando 22 furtos e 12 roubos em 2021. A Bahia é o 12º estado com mais casos, somando 53 casos entre furtos e roubos até o início de fevereiro.
Esse é o caso da funcionária pública Dinah Ferreira, de 63 anos, que, no final de 2020, teve a bike roubada duas vezes em um período de 40 dias, mas não desistiu de pedalar. Ela já foi maratonista e, há três anos, trocou a pista de corrida pela bicicleta. Mesmo depois dos dois traumas pelos quais precisou passar, garante que a paixão fala mais alto.
“Vou terminar de pagar a bike que agora não é mais minha, é do ladrão, e comprar outra para voltar a pedalar. Eu quero segurança para os ciclistas, é isso que a gente busca. Que a gente possa sair sem esse medo, sem se perguntar se vai conseguir voltar para casa”, diz a ciclista. Na primeira vez em que foi roubada, estava sozinha e tinha parado para descansar no Campo Grande, por volta das 8h30. “Fiquei triste, arrasada e chorei muito. Me senti muito vulnerável, impotente, porque você compra uma bike de 3 mil reais e, quando vê, ela já está custando 6 mil. A manutenção é muita cara. Mas decidi não me intimidar”, completa.
Fonte: Correio da Bahia

















