A queda de dois casarões históricos na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, após um deslizamento de terra no Morro da Forca , na manhã desta quinta-feira (13), era um risco que pairava há dez anos na cidade colonial de 74 mil habitantes, patrimônio mundial da Unesco.
Apesar de o desmoronamento não ter deixado nenhuma vítima, pois os prédios estavam desocupados pela Defesa Civil desde 2012, a perda histórica possivelmente é irreparável, segundo especialistas. A perda mais importante é do Solar Baeta Neves, construído no século XIX, o maior dos prédios atingidos.
O professor de Engenharia Geológica da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP-MG), Mateus Oliveira Xavier, explica que sabia-se do risco que as construções corriam há quase dez anos, quando foram esvaziadas pelo município. Segundo ele, a decisão foi acertada, o que acabou evitando uma tragédia. No entanto, faltou, posteriormente, um estudo para construção de algum tipo de contenção que evitasse a destruição dos patrimônios.
“O Morro da Forca já é conhecido há anos como uma região de instabilidade. Aqueles casarões atingidos não eram ocupados desde 2012 justamente porque houve movimentos de massa naquela época e, então, prefeitura e Defesa Civil acharam melhor, por segurança, retirar as ocupações. Também não tivemos fatalidades ali hoje porque a Defesa Civil foi avisada previamente quando notou-se um movimento de terra e fez um isolamento de toda a região que poderia ser atingida, de forma preventiva e correta”, explica.
O professor conta que a encosta, naquela área que deslizou, é de muito difícil acesso. Para que qualquer tipo de prevenção fosse instalada, seria necessária uma análise profunda.
“Algumas formas de contenção poderiam ter sido aplicadas ali antes, como muros de contenção, tirantes, redes de proteção caso algum bloco rochoso pudesse cair, então, existem inúmeras formas de proteção. Mas, para isso, é necessária uma avaliação geotécnica mais pontual, local e detalhada, para saber qual seria a melhor opção. Como aquela encosta é de muito difícil acesso, eu acredito que o primeiro passo foi dado, que foi a desocupação das edificações, o que salvou vidas, mas posteriormente deveria ter sido feito, sim, um estudo para alguma forma de contenção”.
O geólogo explica também que, em épocas de chuva, Ouro Preto sofre historicamente com as próprias características: de solo, vegetação e habitação, o que põe em risco tantos patrimônios tombados que residem na cidade.
“Ouro Preto, de forma geral, tem grande parte de seu território em regiões suscetíveis aos movimentos gravitacionais de massa. Ou seja, as características naturais, a geologia, uso e ocupação, vegetação, todas as condições relacionadas à região se demonstram suscetíveis a esse tipo de movimento. Porém, ele só acontece quando há algum gatilho, e esse gatilho é ativado no período das chuvas. Acontece uma saturação no solo, e esse excesso de água provoca esses movimentos de terra. Foi justamente o que aconteceu em 2012, e existem registros históricos de 1979 com movimentos muito semelhantes aos que estão acontecendo agora”.
Fonte: ig.com.br



















