Ao menos 3,9 mil viajantes chegaram ao Brasil, somente em dezembro do ano passado, após partirem de 10 países do sul da África, onde teria surgido a variante Ômicron (B.1.1.529) do novo coronavírus. Desse total, cerca de 3,5 mil vieram de Angola, Malawi, Moçambique ou Zâmbia. No fim de novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou que o governo federal fechasse as fronteiras com essas nações, mas a solicitação não foi atendida. Embora não seja possível dimensionar com exatidão o impacto dessa decisão no rápido crescimento de casos, estima-se que a medida pode ter colaborado para o avanço da variante no país, segundo especialistas.
O restante – 401 viajantes – veio de África do Sul, Botsuana, Namíbia e Zimbábue. O governo federal fechou as fronteiras para esses países, além de Essuatíni e Lesoto, mas a portaria prevê exceções, que incluem estrangeiros cônjuges, companheiros, filhos, pais, curadores ou com residência de caráter definitivo no território brasileiro e profissional estrangeiro em missão.
Os dados foram obtidos pelo Metrópoles, via Lei de Acesso à Informação (LAI), junto à Anvisa. Os números consideram as Declarações de Saúde do Viajante (DSV), documento obrigatório para entrar no país desde dezembro de 2020, e a cidade de partida indicada. Não se sabe exatamente onde a Ômicron se originou, mas a variante foi detectada pela primeira vez em amostras coletadas em 11 de novembro de 2021 em Botswana e, posteriormente, em 14 de novembro, na África do Sul. Apontada como uma variante de preocupação, a Ômicron fez com que nações do mundo inteiro fechassem as fronteiras para alguns países do continente africano.
Antes de fechar as fronteiras, por exemplo, o Brasil recebeu, entre setembro e novembro, 10,1 mil viajantes que partiram de África do Sul, Angola, Malawi, Moçambique, Zâmbia, Botsuana, Essuatíni, Lesoto, Namíbia ou Zimbábue, segundo os dados obtidos pela reportagem.



















