Rajadas de vento extremas atingiram principalmente o Sul do país; operador afirma que o sistema elétrico conseguiu absorver os impactos sem cortes significativos de carga
Relatório destaca desafios de manutenção e adaptação da infraestrutura de energia diante de eventos meteorológicos severos associados ao El Niño.
Mais de 290 torres de transmissão de energia elétrica foram derrubadas no Brasil desde o fim de julho de 2026, em ocorrências associadas a eventos climáticos extremos. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 22 de outubro, com base em informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Os danos se concentraram principalmente na Região Sul, onde rajadas de vento chegaram a velocidades de até 250 quilômetros por hora em episódios específicos. Ciclones extratropicais contribuíram para derrubar estruturas, inclusive no extremo sul do Rio Grande do Sul.
Apesar das ocorrências, o ONS informou que o sistema elétrico demonstrou capacidade de resposta, com cortes de carga considerados insignificantes. A avaliação indica que a rede conseguiu manter o fornecimento sem interrupções generalizadas provocadas diretamente pelos danos relatados.
O diretor-geral do operador, Márcio Rea, afirmou que reforçar todas as torres para suportar eventos dessa intensidade seria economicamente inviável, pois poderia exigir até nove vezes mais aço nas estruturas. A discussão envolve encontrar um equilíbrio entre os custos de construção, a resistência da infraestrutura e a frequência de eventos extremos.
O fenômeno El Niño foi apontado entre os fatores relacionados às condições meteorológicas observadas no período. O relatório também registrou melhora nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, favorecida pelas chuvas. Em setembro, o armazenamento do Sistema Interligado Nacional chegou a 61%, enquanto a Região Sul atingiu 88,2%.
Os dados reforçam o desafio de preparar a infraestrutura energética para variações climáticas severas. A continuidade do serviço depende da manutenção das linhas, da capacidade de resposta das equipes e do planejamento para reduzir riscos de falhas em eventos futuros.

















