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Redação Boletim Bahia por Redação Boletim Bahia
13 horas atrás
em Bahia, Notícias
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© Divulgação Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC)

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O interesse pelo cinema surgiu cedo. Com aos 5 anos, as brincadeiras do menino já incluíam montagem de filmes com histórias de super-heróis. Enquanto se identificava com essa brincadeira, Miguel Figueiredo Viglio deu o primeiro passo para se aprofundar na arte do cinema e, aos 7 anos, decidiu cursar um curso de stop motion, uma animação feita quadro a quadro.

“Aí passei a fazer filmes em stop motion com brinquedos que eu tinha e fui me aprimorando”, contou em entrevista à Agência Brasil

Hoje com 14 anos, o jovem tem certeza de que quer seguir na carreira, embora saiba que é um caminho árduo. “É difícil, mas sei que vou trabalhar com algo que gosto e com pessoas que também amam”.

Miguel Viglio é um dos concorrentes no Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC), que acontece neste domingo (18) até o dia 24 de outubro, em três espaços culturais do Rio de Janeiro: Teatro Municipal Carlos Gomes, Instituto Cervantes e Jardim Botânico. A programação é gratuita.

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 Fedtival Internacional Pequeno Cineasta. Foto: : Divulgação Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC)
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Circo dos Horrores – Divulgação Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC)

Em casa, Miguel conta com o apoio da mãe Chica Amoreira, que se orgulha dos prêmios que o filho já conquistou em festivais. Entre as distinções, apenas com o filme Circo dos Horrores, com o qual concorrerá nesta edição do FIPC, há Melhor Filme no FECEA, no Rio Grande do Sul, em 2025; Troféu Geração no Festival do Rio, no mesmo ano; Melhor filme pelo Júri Popular no É Tudo Criança, em Minas Gerais, em 2026.

Internacionalmente, foi finalista no CineClub Dei Picoli, na Itália, em 2025; no Madeira Curtas Short Film, em Portugal, em 2026; e no REC film festival, na Alemanha, também em 2026.

Daniel Nini, de 16 anos, é mais um concorrente no Festival Internacional Pequeno Cineasta. O interesse pela arte o levou a atuar como ator. Após o teatro, surgiu a vontade de fazer cinema, pois gostava muito de assistir filmes.

“Com 10 anos, percebi que poderia estar em filmes e criar produções. Então, comecei a assistir muita coisa para absorver bagagem cultural e aplicar roteiros próprios”, disse à Agência Brasil.

No início, recorreu ao celular, o único equipamento disponível na época. “Naquela fase, não tinha câmera, então pensei que nada seria útil, já que o áudio não era de qualidade elevada. Mas, com a magia da edição e visualizando em tela grande, ficou ótimo. Fiquei muito feliz com o resultado”, contou Daniel.

Ele também atua como ator e, com o tempo, conseguiu adquirir os equipamentos necessários com o dinheiro ganhado com as atuações.

Júri

Uma característica marcante do festival é a participação das crianças e adolescentes na escolha dos vencedores. O Júri Oficial é composto por jovens entre 8 e 17 anos, mesma faixa etária dos concorrentes.

A responsabilidade de julgar as produções é pesada, pois pode simbolizar um marco na carreira de quem está começando. Carina Ki, participante do Júri Oficial, considerou a experiência extremamente importante.

“Quando soube que os jurados tinham entre 13 e 17 anos, pensei que fosse uma experiência experimental, já que eram crianças fazendo produções. Mas fiquei impressionada com a criatividade e as técnicas que usaram. As crianças se esforçaram muito. Fiquei realmente surpresa com o talento delas”, disse.

“Tenho o plano de estudar cinema no futuro, então foi uma oportunidade crucial para eu me conectar com produções de adolescentes com quem compartilho projetos”, concluiu.

Para Daniela Gracindo, criadora do FIPC, produtora, educadora e idealizadora do festival, o diferencial é que não são adultos avaliando crianças e adolescentes. Eles assumem as câmeras para contar suas histórias.

“Eles se sentem mais envolvidos, com protagonismo, pois suas opiniões importam. Isso muda totalmente a atitude daquela criança que, sentada na cadeira, sabe que vai votar no filme que será premiado. A forma como ela se comporta na sala de cinema é outra”, avaliou Daniela.

11ª edição

O Festival Internacional Pequeno Cineasta chega à 11ª edição com mais atividades e maior interesse da nova geração pelo cinema. A iniciativa nasceu quando Daniela Gracindo produzia uma homenagem ao avô, Paulo Gracindo. O pai Gracindo Jr., com quem gravava documentários, possuía uma produtora onde Daniela queria ministrar aulas de cinema e teatro. Assim, em 2009, uma turma de alunos de 9 a 13 anos inaugurou a Oficina Pequeno Cineasta, que acompanha crianças e jovens em todas as etapas de produção de um filme, desde a ideia até a montagem.

Disso nasceu a primeira edição do festival em 2010, quando, segundo Daniela, ainda era mais tímida.

“Cada edição que realizo é uma força colossal de troca cultural, de conexão, de aproximação com a criança, já que temos um espaço qualificado onde elas podem e devem expressar-se por meio da sétima arte”, destacou Daniela.

Ao longo dos anos, o contato com crianças e adolescentes se intensificou e se consolidou por meio das Oficinas Pequeno Cineasta, realizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e até no exterior, como na Guiana Francesa e na Argentina.

“Por ver tais resultados e ajudar crianças que nunca haviam entrado em uma sala de cinema ficarem fascinadas só com a experiência, imagine o impacto quando elas percebem que uma outra menina ou menino, como elas, criou aquele filme exibido na tela. O efeito é imenso para todos”, disse Daniela.

Produções

Nesta edição, o festival exibirá 68 filmes produzidos por jovens de 8 a 17 anos. As obras foram elegidas a partir de 467 inscrições de 41 países e dez estados brasileiros. São ficções, documentários e animações, que, segundo a organização, “refletem como essa geração enxerga questões como amizade, preconceito, inteligência artificial, cyberbullying e crise climática”.

Níveis de competição

Além de quatro categorias: Nacional e Internacional Criança (para realizadores de 8 a 12 anos); e Nacional e Internacional Jovem (para adolescentes de 13 a 17 anos), a competição ocorre em três mostras especiais: Oficina Pequeno Cineasta, Filmes Hispânicos e Sustente Sua História, dedicada a produções sobre sustentabilidade e meio ambiente.

Variedade

Os temas dos filmes abordam afeto, perdas, amizade, preconceito, trabalho, IA, violência, cyberbullying, crise climática e relação entre humanidade e natureza.

Os vínculos humanos são explorados em A Night Without You (Malásia), Orpheus & Eurydice (EUA) e Passagens (Niterói, RJ). Já em The City (Ucrânia) e Paani (EUA), os cineastas tratam da resiliência em meio a guerras, deslocamentos e eventos climáticos extremos.

A crise climática é tema em Axinos (Grécia), Concreto (Contagem, MG) e Yanomamis: Guardiões da Floresta (Brasil), enquanto O Espelho e Segundo Plano, os dois de Porto Alegre, e Por Culpa de la IA (Espanha) exploram solidão, pressão social, violência e impactos da tecnologia.

Intercâmbio

A abertura, no dia 18, às 11h, no Teatro Municipal Carlos Gomes, no centro do Rio, promoverá um encontro especial entre cineastas brasileiros e da Guiana Francesa. Na cerimônia, serão exibidos seis curtas realizados em Saint-Georges por cerca de 80 crianças e jovens, produzidos em oficinas de 2025 a 2026, além de um minidocumentário sobre o processo criativo.

Na segunda-feira (19), das 15h30 às 17h, no Instituto Cervantes, em Botafogo, acontecerá a Mesa Redondinha, um encontro de jovens cineastas do Brasil e da Guiana Francesa para assistirem aos filmes produzidos por ambos os grupos e discutirem com o público sobre escolhas narrativas, temas, desafios de produção e formas distintas de transformar experiências em cinema.

Ainda na segunda e no dia seguinte, o Instituto Cervantes receberá, das 9h às 13h, o workshop Cinema na Sala de Aula, destinado a professores e educadores. A argentina Irene Blei, conhecida por sua inovação na educação audiovisual e pela criação da Oficina de Cine El Mate, em Vicente López, será a ministrante do evento de oito horas.

Escolas

As ações do festival se estendem às escolas e comunidades educativas por meio do Pequeno Cineasta na Escola. As instituições inscritas têm acesso gratuito às mostras competitivas durante o festival e podem organizar sessões com seus alunos, enviando votos para o Prêmio do Júri Popular. Para a organização, a iniciativa fortalece a formação do público e transforma o cinema em ponto de partida para discussões sobre temas atuais na escola.

“É fundamental para a infância e juventude não apenas como youtubers ou tiktokers, mas para que merguem na linguagem cinematográfica, se tornem críticos e sejam alfabetizados nessa linguagem”, afirmou Daniela.

Em todas as edições, o festival reuniu produções de 54 países e atingiu mais de 80 mil pessoas, “promovendo autoria, direito à expressão, formação de público e diálogo intercultural”.

O encerramento da programação será no Instituto Cervantes, das 16h às 18h, com a premiação dos vencedores e homenagem a Gracindo Jr, falecido em 2 de setembro, aos 83 anos, no Rio.

O Festival Internacional Pequeno Cineasta conta com o apoio da Prefeitura do Rio, por meio das Secretarias Municipais de Cultura e Educação, do Sistema Nacional de Cultura e do Ministério da Cultura.


Fonte

Redação Boletim Bahia

Redação Boletim Bahia

A Redação Boletim Bahia é formada por jornalistas e colaboradores comprometidos em informar com responsabilidade, agilidade e independência. Com foco nos principais acontecimentos da Bahia e um olhar atento para as pautas locais, buscamos ampliar vozes, fiscalizar o poder e valorizar histórias que impactam a vida da população.

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