Ex-prefeito de Salvador defende que a mudança política na Bahia passa primeiro por uma virada nacional; União Brasil e PP oficializam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno
A derrota de ACM Neto (União Brasil) para Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa pelo Governo da Bahia recolocou no centro do debate político baiano uma estratégia que ultrapassa as fronteiras do estado: a construção de uma frente nacional de oposição ao PT.
Em seu pronunciamento após o resultado, Neto afirmou que a mudança na Bahia dependeria primeiro de uma mudança no cenário nacional. “Vamos mudar o Brasil para certamente depois mudar a Bahia”, declarou.
A declaração ganhou novo significado após o posicionamento do União Brasil no segundo turno da eleição presidencial. A legenda decidiu apoiar Flávio Bolsonaro (PL), movimento que aproxima a direção nacional do partido do campo político no qual ACM Neto vem ampliando seu diálogo.
Neto havia anunciado que viajaria a Brasília para participar das discussões sobre o posicionamento do partido. Na ocasião, já havia indicado que considerava necessária uma mudança nacional para alterar posteriormente a correlação de forças na Bahia.
O PT como adversário central
A disputa estadual mantém o PT no comando do Governo da Bahia, em uma hegemonia que já atravessa duas décadas. O novo cenário, entretanto, coloca a eleição presidencial como parte da estratégia da oposição baiana para os próximos ciclos eleitorais.
A lógica defendida por ACM Neto é direta: a correlação de forças em Brasília influencia a disputa política nos estados. Nesse contexto, a eleição de Flávio Bolsonaro passa a ser apresentada pelo campo oposicionista como uma possível mudança de cenário para a Bahia.
O movimento também aproxima diferentes setores da oposição baiana. Com União Brasil e PP ao lado de Flávio, lideranças que estiveram em campos distintos ou mantiveram posições mais cautelosas durante o primeiro turno passam a ter um novo ponto de convergência.
Da derrota estadual à disputa nacional
A derrota para Jerônimo Rodrigues não encerrou a atuação política de ACM Neto. Ao contrário, o ex-prefeito de Salvador sinalizou que pretende continuar participando da política e deslocar parte de sua atuação para a disputa nacional.
A declaração de que primeiro é necessário “mudar o Brasil” estabelece, portanto, uma conexão direta entre a eleição presidencial e o futuro da oposição na Bahia.
Com o União Brasil oficialmente alinhado a Flávio Bolsonaro, ACM Neto passa a ocupar uma posição relevante nessa articulação. O desafio será transformar o apoio nacional em força política suficiente para alterar, no próximo ciclo eleitoral, o domínio que o PT mantém sobre o governo baiano.
A disputa que começou nas urnas da Bahia, portanto, ganha uma dimensão maior: para a oposição, a batalha contra o PT não termina com o resultado estadual. Ela passa agora também pelo segundo turno presidencial e pela tentativa de reorganizar o mapa político brasileiro.
















