Comparação entre 2022 e 2026 mostra perda de votos de Neto em Salvador e avanço de Jerônimo na capital, Camaçari, Simões Filho, Vitória da Conquista e Juazeiro
A comparação entre o primeiro turno de 2022 e o primeiro turno de 2026 mostra que a derrota de ACM Neto não aconteceu porque ele perdeu votos em todas as grandes cidades da Bahia. Em vários municípios importantes, ele cresceu. O problema foi que Jerônimo Rodrigues avançou mais justamente em alguns dos principais colégios eleitorais do estado.
O caso mais emblemático foi Salvador. ACM Neto passou de 783.749 votos em 2022 para 769.752 em 2026, uma perda de 13.997 votos. Jerônimo fez o caminho contrário: saiu de 547.531 para 630.677, um crescimento de 83.146 votos.
Com isso, a vantagem de Neto sobre Jerônimo na capital caiu de aproximadamente 236 mil votos em 2022 para cerca de 139 mil em 2026.
Na Região Metropolitana, o movimento também merece atenção. Em Camaçari, Neto cresceu apenas 2.449 votos, passando de 72.964 para 75.413. Jerônimo, porém, ganhou 16.834 votos, saindo de 58.518 para 75.352. O resultado terminou praticamente empatado: apenas 61 votos separaram os dois.
Em Simões Filho, ACM Neto praticamente repetiu a votação: passou de 31.780 para 32.078 votos, crescimento de apenas 298. Jerônimo aumentou sua votação em 4.945 votos, chegando a 32.370 e vencendo Neto por 292 votos.
No interior, o cenário foi diferente em algumas cidades. Em Feira de Santana, Neto teve um crescimento expressivo, passando de 140.555 para 175.603 votos, aumento de 35.048. Jerônimo também cresceu, mas em menor proporção: 16.078 votos, chegando a 151.212.
Em Vitória da Conquista, entretanto, Jerônimo avançou mais. Neto ganhou 9.575 votos, passando de 91.460 para 101.035, enquanto Jerônimo cresceu 20.032, chegando a 94.055.
Em Juazeiro, a diferença foi ainda mais clara. Neto passou de 49.118 para 51.321 votos, crescimento de 2.203. Jerônimo saltou de 54.864 para 74.319, acrescentando 19.455 votos.
Neto também teve crescimento importante em outras grandes cidades. Em Porto Seguro, ganhou 23.241 votos; em Jequié, 16.500; em Lauro de Freitas, 14.959; em Ilhéus, 14.736; e em Teixeira de Freitas, 14.564.
O problema, portanto, não foi simplesmente uma queda generalizada de ACM Neto. Ele conseguiu aumentar sua votação em vários grandes municípios, mas Jerônimo avançou mais em pontos estratégicos, principalmente Salvador, Camaçari, Simões Filho, Vitória da Conquista e Juazeiro.
O resultado de Salvador é especialmente relevante. Enquanto Neto perdeu quase 14 mil votos, Jerônimo ganhou mais de 83 mil. É uma diferença de aproximadamente 97 mil votos no movimento entre os dois candidatos.
Além disso, Jerônimo teve uma vantagem territorial muito maior. O governador venceu 376 dos 417 municípios da Bahia, enquanto ACM Neto ficou à frente em 41.
No resultado estadual, Jerônimo terminou com 4.626.509 votos, contra 3.625.227 de ACM Neto, uma diferença de aproximadamente 1 milhão de votos.
Os números mostram, portanto, que ACM Neto continuou competitivo nas principais cidades, mas perdeu margem onde precisava manter uma vantagem maior. Jerônimo, por sua vez, conseguiu ampliar sua votação em cidades estratégicas e manteve uma ampla hegemonia territorial no interior.
Salvador foi o principal símbolo dessa mudança: Neto perdeu votos na capital justamente quando Jerônimo conseguiu seu maior crescimento entre os grandes colégios eleitorais.
















