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Nesta sexta-feira, no fim da tarde, ACM Neto reuniu candidatos, lideranças e apoiadores para o encerramento de sua campanha de rua, em uma caminhada que saiu do Campo Grande em direção à Praça da Sé. Ao lado de João Roma, Ângelo Coronel e do candidato a vice, Zé Cocá, Neto percorreu o trajeto diante de uma multidão vestida de azul e carregando o número 44.
A cena, para quem acompanhou de perto a campanha, lembrou os grandes cortejos que costumam tomar conta das ruas de Salvador durante o Carnaval. ACM Neto seguiu em cima de uma caminhonete, cumprimentando os apoiadores e demonstrando entusiasmo diante da mobilização.
Mas esta coluna não pretende transformar uma manifestação política em pesquisa eleitoral, muito menos em pedido de voto. O que aconteceu nesta sexta-feira é apenas uma fotografia de uma campanha que chega ao fim. E, depois de aproximadamente 45 dias acompanhando esse processo, percorrendo algumas das 417 cidades da Bahia, fica uma reflexão que vai muito além de um palanque.
Em diferentes lugares, ouvi reclamações sobre problemas que continuam fazendo parte da vida cotidiana dos baianos. Saúde, segurança pública, emprego, renda, infraestrutura e a sensação de que determinadas promessas não se transformaram na realidade esperada pela população.
Na saúde, existem famílias que enfrentam filas e esperas por atendimento. Na segurança, existem comunidades que convivem diariamente com o medo e com a presença do crime organizado. Há famílias que perderam pessoas para a violência e outras que vivem com a preocupação de perder aquilo que conquistaram com muito esforço.
Não se trata de um problema restrito a um partido ou a um candidato. É uma realidade que precisa ser enfrentada por quem estiver no comando do Estado nos próximos quatro anos.
O eleitor que acorda cedo, paga impostos, trabalha, sustenta sua família e tenta construir alguma coisa precisa compreender que a eleição não termina no momento em que o voto é depositado na urna.
O resultado de uma escolha política interfere diretamente na qualidade da saúde pública, na segurança das ruas, nas oportunidades de emprego, na infraestrutura das cidades e na capacidade do cidadão de viver com um mínimo de tranquilidade.
Por isso, o voto não deveria ser tratado apenas como uma troca momentânea, um favor a um amigo, um pedido de uma liderança ou uma recompensa por aquilo que alguém ofereceu durante a campanha.
É uma decisão que terá consequências concretas.
E talvez seja justamente aí que esteja a principal reflexão desta eleição: existe uma diferença enorme entre discurso e prática.
Falar de pontes, estradas, obras e grandes projetos é importante. Infraestrutura é fundamental para o desenvolvimento de qualquer Estado. Mas também é preciso falar sobre aquilo que acontece dentro de casa, no bairro, na escola, no posto de saúde e na rua onde o cidadão mora.
De que adianta uma grande obra se uma mãe não consegue atendimento para o filho? De que adianta uma cidade bonita se o trabalhador tem medo de voltar para casa? De que adianta gerar números positivos se a população não percebe melhora na própria vida?
A política precisa responder a essas perguntas.
Também considero importante registrar uma ausência que marcou esta campanha: o debate mais profundo sobre propostas e soluções. Em uma democracia, o confronto de ideias deveria ser um dos momentos mais importantes de uma eleição.
O eleitor precisa conhecer não apenas o discurso preparado para o palanque, mas também como cada candidato pretende enfrentar os problemas que estão diante dele.
Debater é se expor. É responder perguntas difíceis. É apresentar números, explicar projetos, reconhecer limitações e dizer de onde virá o dinheiro para colocar as propostas em prática.
É justamente nesse momento que o eleitor consegue separar promessa de planejamento.
Agora chegamos ao dia 4 de outubro.
Independentemente de quem vencer, existe uma responsabilidade que continuará sendo de todos nós: cobrar.
Cobrar saúde pública funcionando. Cobrar segurança. Cobrar emprego e renda. Cobrar educação. Cobrar infraestrutura. Cobrar transparência. Cobrar resultados.
A eleição termina, mas os problemas permanecem.
E é por isso que o voto precisa ser acompanhado de consciência e, depois dele, de fiscalização.
Não cabe a uma coluna dizer ao eleitor em quem votar. Cabe lembrar que, depois que as bandeiras forem recolhidas, os carros de som forem embora e os palanques forem desmontados, quem continuará enfrentando a realidade será o cidadão.
Serão quatro anos.
Quatro anos que dizem respeito aos nossos filhos, aos nossos netos, aos nossos pais, aos nossos avós e a nós mesmos.
Que vença quem vencer. E que, sobretudo, as promessas feitas durante esses últimos meses sejam transformadas em ações concretas.
Porque, no fim das contas, a população não vive de discurso.
Vive de resultado.

Siqueira Costa Júnior, 51 anos, empresário, formado em Relações Públicas, blogueiro, comentarista político e militante. Fundador e ex-coordenador do MBL na Bahia por quase 15 anos. Apartidário, pai, avô e filho. Um cidadão brasileiro que acredita na política como instrumento de transformação e busca, através da informação, da opinião e do debate, contribuir para um estado e um país melhores para todos.





















