Deputado questiona declarações do comandante da região Norte, que classificou denúncia sobre pichações associadas a facções como “montagem”, e pede apuração pela Corregedoria
O deputado federal Capitão Alden foi à Corregedoria-Geral da Polícia Militar da Bahia, na Pituba, em Salvador, nesta terça-feira (28), para protocolar uma representação contra o coronel Wildon, comandante de policiamento da região Norte.
A medida ocorre após declarações do oficial a respeito de uma fiscalização realizada pelo parlamentar e pelo soldado Matos em Juazeiro. Na ocasião, os dois registraram pichações em uma quadra pública que, segundo Capitão Alden, estariam associadas à atuação de facções criminosas na região.
Após a divulgação das imagens, o coronel teria afirmado publicamente que o material era uma montagem e classificado a iniciativa como “molecagem”, “covardia” e “palhaçada”, além de chamar os envolvidos de “moleques” e “elementos”.
Capitão Alden afirma que a declaração passou a ser questionada depois que o próprio coronel reconheceu, em entrevista, a existência de pichações dessa natureza em Juazeiro e mencionou o trabalho de inteligência da Polícia Militar diante de situações semelhantes encontradas em outras localidades.
“Se essas pichações existem, então onde está a montagem? Fomos nós que pintamos aquelas pichações? Fomos nós que inventamos aquilo que as câmeras registraram?”, questionou o deputado.
O parlamentar também ressaltou que sua crítica não é direcionada aos policiais militares que atuam em Juazeiro. Segundo ele, a cobrança é dirigida ao poder público e tem como objetivo exigir providências diante dos problemas identificados.
“Mostrar um problema não é atacar Juazeiro, é cobrar solução para Juazeiro”, afirmou.
Na representação, Capitão Alden também questiona se a relação familiar do coronel com a gestão municipal de Juazeiro poderia ter influenciado sua postura pública. A filha do oficial integra a administração municipal, segundo o parlamentar, que afirma que a questão precisa ser esclarecida.
“Será que o fato de a filha do coronel fazer parte da gestão da prefeitura de Juazeiro pode ter influenciado essa postura? Será que isso ajuda a explicar tamanha disposição em sair publicamente em defesa da gestão municipal e atacar quem fez uma fiscalização?”, questionou.
O deputado também cita uma declaração do coronel durante uma manifestação pública de apoio ao prefeito: “Eu estou com você, prefeito, meu irmão, conte com a Polícia Militar”.
A partir da declaração, Capitão Alden questiona se o oficial estava falando na condição de cidadão e amigo pessoal do prefeito ou como comandante regional da Polícia Militar em Juazeiro.
Outro ponto levantado pelo parlamentar é o tratamento dado pelo oficial durante as declarações públicas. Capitão Alden afirma que, além de se sentir pessoalmente desrespeitado, considera que os mais de 95 mil eleitores que representa também foram atingidos.
“Imagine se um soldado fosse, diante das câmeras, chamar um coronel da Polícia Militar de moleque e de elemento. O que aconteceria com esse soldado?”, questionou.
Ao justificar a representação, o deputado defendeu que a Polícia Militar deve atuar como instituição de Estado, independentemente de interesses políticos ou relações pessoais.
“Porque a Polícia Militar é uma instituição de Estado e não pertence a deputado, a prefeito, a governador e muito menos a um coronel. Pertence a todos os cidadãos baianos, em especial de Juazeiro”, afirmou.
Capitão Alden disse ainda que fiscalizar, registrar problemas e cobrar providências fazem parte de sua atuação parlamentar e não podem ser tratados como “molecagem”.
A representação protocolada na Corregedoria-Geral da Polícia Militar busca, segundo o deputado, a apuração dos fatos e da conduta do oficial.
“Não pode existir uma regra para o praça e outra para o oficial. Se vale para o soldado, tem que valer para o coronel”, concluiu.
















