Avanço do Mounjaro e de outros medicamentos para emagrecimento impacta alimentação, bebidas, vestuário e diferentes setores da economia
O avanço das chamadas canetas emagrecedoras está provocando mudanças que vão muito além da perda de peso. Em apenas um ano de mercado, o Mounjaro teria chegado a cerca de 3 milhões de usuários no Brasil e ultrapassado R$ 13 bilhões em vendas, segundo dados citados por Leonardo Leão. As vendas de medicamentos para emagrecimento também cresceram 23% no primeiro semestre.
O impacto já começa a aparecer nos hábitos de consumo. Uma pesquisa mencionada no conteúdo, realizada com cerca de 1.400 bares e restaurantes, aponta que seis em cada dez estabelecimentos já perceberam mudanças no comportamento dos clientes.
Com o menor consumo de alimentos e bebidas alcoólicas, consumidores passam a dividir pratos e sobremesas, enquanto ganham espaço produtos como bebidas proteicas, funcionais e opções sem álcool. Grandes redes também começam a adaptar cardápios, apostando em porções menores.
O efeito chega ainda ao setor de vestuário, com aumento na procura por ajustes de roupas provocado pela perda de peso mais rápida.
Quem ganha e quem perde
Entre os setores que podem se beneficiar estão bebidas proteicas, produtos funcionais, opções zero álcool e serviços de ajustes de roupas. Na outra ponta, rodízios, bufês por quilo e negócios dependentes do consumo elevado de alimentos podem enfrentar dificuldades.
A transformação, porém, não está restrita à alimentação. Academias, planos de saúde, viagens, vestuário e outros segmentos também podem ser afetados.
A principal mudança é comportamental: o consumidor está mudando mais rápido, e as empresas precisam acompanhar esse movimento antes que ele apareça no caixa.
Com versões mais acessíveis dos medicamentos chegando ao mercado, a tendência é que esse impacto se amplie nos próximos anos. A discussão, portanto, já não é apenas sobre emagrecimento, mas sobre como uma mudança no corpo pode transformar toda a lógica de consumo no país.

















