Cerimônia reuniu políticos, empresários, autoridades, artistas e representantes da sociedade em reconhecimento à primeira associação comercial do Brasil, que completa 215 anos de história
A Associação Comercial da Bahia (ACB) viveu nesta quinta-feira um daqueles momentos em que história e presente se encontram. Em uma cerimônia de homenagem realizada em Salvador, o auditório da entidade ficou pequeno diante do número de convidados que fizeram questão de prestigiar a instituição, reunindo políticos, empresários, autoridades, artistas e representantes da sociedade baiana.
À frente da ACB está a empresária e advogada Isabela Suarez, segunda mulher a presidir a entidade em mais de dois séculos de existência. Em sua gestão, uma das prioridades é aproximar a Associação dos micro, pequenos e médios empresários, segmento que, segundo Isabela, enfrenta alguns dos maiores desafios para empreender no país.
A presidente tem defendido uma agenda voltada à produtividade, redução da burocracia, segurança jurídica e melhoria do ambiente de negócios. Em entrevista recente, também chamou atenção para a necessidade de a Bahia construir uma agenda permanente de desenvolvimento, capaz de atravessar diferentes governos.
A preocupação com os pequenos negócios não é apenas discursiva. A ACB criou uma Câmara de Micro e Pequenas Empresas e afirma que pretende ampliar ações de capacitação, gestão, inovação e orientação jurídica para esse segmento, considerado fundamental para a geração de emprego e renda.
215 anos de história
Fundada em 15 de julho de 1811, a Associação Comercial da Bahia nasceu quando Salvador ocupava posição estratégica no comércio brasileiro e seu porto era um dos principais do país. A instituição surgiu como Praça do Comércio da Bahia, reunindo comerciantes e servindo como espaço para negócios e articulação do setor produtivo.
Ao longo de mais de dois séculos, a ACB atravessou o período imperial, a Proclamação da República, crises econômicas, transformações políticas e diferentes ciclos de desenvolvimento da Bahia. A entidade também teve participação em momentos marcantes da história nacional.
Um dos capítulos mais emblemáticos está relacionado à Guerra do Paraguai. Durante o conflito, a ACB liderou ações para socorrer famílias de militares mortos ou mutilados e chegou a disponibilizar sua própria sede para recuperação de militares feridos. Em 1874, comerciantes de Salvador financiaram a construção do monumento da Praça Riachuelo, em homenagem às vitórias brasileiras na guerra.
O monumento, localizado justamente diante do Palácio da ACB, tornou-se um dos símbolos da ligação histórica entre a entidade, a sociedade baiana e a Marinha do Brasil. A Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida em 11 de junho de 1865, é considerada um dos episódios decisivos da Guerra do Paraguai.
Uma entidade que continua influenciando os rumos da Bahia
A importância histórica da ACB, entretanto, não ficou presa ao passado. A instituição participou de debates e iniciativas que ajudaram a moldar a economia baiana. Um dos exemplos mais marcantes foi a assinatura, em 1971, do ato de constituição do Polo Petroquímico de Camaçari, realizada no próprio Palácio da Associação Comercial.
Atualmente, a entidade mantém atuação direta junto ao poder público e ao setor produtivo em temas como infraestrutura, urbanismo, tributação, segurança jurídica, inovação e desenvolvimento econômico. A ACB é oficialmente considerada órgão técnico e consultivo do poder público desde 1941.
É justamente nessa tradição que Isabela Suarez procura imprimir uma nova marca à instituição: preservar o peso histórico da ACB, mas transformá-la cada vez mais em uma ferramenta prática para quem produz, investe e gera empregos.
A homenagem realizada nesta quinta-feira, com a presença expressiva de diferentes setores da sociedade, acaba tendo esse significado. Mais do que celebrar uma instituição fundada há 215 anos, o evento reconhece uma entidade que continua tentando participar ativamente das decisões que definem o futuro econômico da Bahia.
E, sob a liderança de Isabela Suarez, a mensagem parece clara: a história da Associação Comercial da Bahia é longa, mas a sua agenda está voltada para o futuro — especialmente para quem precisa de condições para empreender, crescer e gerar oportunidades.

















