Jovens do Distrito Federal uniram forças para mostrar que a transformação social exige que a voz de quem vive nas periferias seja ouvida. Uma delas, a geógrafa em formação Sara Lisboa, de 21 anos, defende que a presença da juventude periférica na construção de propostas políticas altera diretamente a qualidade dos serviços públicos prestados na ponta. 

“Quando a política pública é desenvolvida por gabinetes distantes da realidade, feita por pessoas que não têm contato com os serviços – como transporte, saúde e educação –, os resultados são desastrosos. A política pública precisa ser pensada por quem vive essa rotina”, afirma a moradora de Ceilândia, região administrativa mais populosa do DF.
Sara está entre os adolescentes e jovens das periferias do DF e da região que elaboraram e lançaram, nesta quarta-feira (12), a Carta-Manifesto da Rede de Juventudes e Adolescências, com propostas para os candidatos nas eleições de 2026.
A iniciativa faz parte da campanha Perifa nas Urnas, lançada hoje, data em que é comemorado o Dia Internacional da Juventude. Organizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o movimento busca fortalecer a formação política das juventudes, promover o protagonismo periférico, incentivar o voto consciente e pautar os candidatos aos cargos de governador, deputado distrital, deputado federal e senador, nas eleições de 2026.
Mudança estrutural
O fotógrafo, designer gráfico e graduado em Gestão Pública, Victor Queiroz, de 27 anos, também participou da elaboração da carta e defende a importância de conscientizar a juventude periférica sobre o voto como ferramenta de mudança estrutural.
“A partir do momento em que a população adquire consciência da importância do seu voto para influenciar as políticas públicas em seu território, a votação deixa de ser apenas um dever e se torna um instrumento real e valioso”, destacou o jovem, morador da região administrativa do Paranoá.
Victor destaca a necessidade de entender as demandas da população periférica para atendê-las. “É diferente de um técnico que vai ao local apenas para analisar, fazer estudo e que, às vezes, nem escuta a comunidade, elaborando políticas com base apenas no que ele acredita.”
Campanha
Assessora política no Inesc na área de juventudes, crianças e adolescentes, Dyarley Viana de Oliveira explica que a campanha aposta na comunicação jovem para jovem como forma de dizer que a política não é exclusividade de adultos.
“Na linguagem dos jovens, estamos anunciando que esse espaço é para eles também”, disse.
Manifesto aos candidatos
A carta-manifesto com propostas das juventudes aos candidatos a cargos eletivos em outubro deste ano foi elaborada coletivamente durante dois anos em oficinas. As pautas abordam temas como saúde, trabalho, segurança pública, proteção social, educação, cultura, mobilidade urbana e diversidade das juventudes.
O período de mobilização envolveu mais de 150 adolescentes e jovens negros e periféricos de diferentes regiões administrativas do DF, como Ceilândia, Estrutural, Itapoã, Paranoá, Planaltina, Riacho Fundo II, Samambaia, São Sebastião e Taguatinga, além de dois municípios de Goiás: Águas Lindas e Valparaíso.
As propostas reunidas na carta-manifesto são dirigidas a candidatos ao governo do DF e à Câmara Legislativa do Distrito Federal, organizadas em oito eixos. Entre eles, a construção de hospitais, ampliação da assistência social, investimento em cursinhos populares, segurança pública e mobilidade urbana descentralizada do centro de Brasília.
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