Influenciador e professor concursado da rede municipal de Salvador questiona ilações sobre interesses políticos, mas sua própria relação remunerada com campanhas de comunicação do governo federal também levanta questionamentos sobre transparência e coerência.
A postura ganha ainda mais relevância porque Matheus Buente é conhecido por manifestações públicas favoráveis a governos e pautas ligadas ao campo político do PT. Em suas redes sociais, o humorista e professor já se posicionou politicamente e em entrevistas.
A crítica feita pelo influenciador e professor de História da Rede Municipal de Salvador, Matheus Buente, contra páginas de fofoca e perfis que fazem ilações sobre supostos interesses políticos e financeiros precisa ser analisada à luz dos próprios fatos.
Buente recebeu R$ 124,9 mil pela produção de dois vídeos para uma campanha de comunicação do governo federal, segundo informações divulgadas pela imprensa. Os conteúdos abordaram a saída do Brasil do Mapa da Fome e o Pix. O próprio influenciador afirmou que teve “total liberdade criativa” para produzir o material.
Não há, a partir desses dados, qualquer fundamento para afirmar que o pagamento tenha sido ilegal ou que o professor tenha recebido dinheiro para defender determinado posicionamento político. O questionamento é outro: qual deve ser a régua utilizada quando se trata de analisar a atuação de comunicadores nas redes sociais?
Se páginas de fofoca devem ser cobradas por fazer acusações ou ilações sem apresentar provas, o mesmo princípio precisa valer para todos. Inclusive para um influenciador que, paralelamente à atividade de professor concursado da rede municipal, possui forte presença nas redes e já participou de campanhas remuneradas pelo poder público.
Receber recursos públicos para produzir conteúdo institucional não é, por si só, irregular. Governos utilizam influenciadores como parte de suas estratégias de comunicação. O que merece transparência é a relação entre o contratante, o contratado, o conteúdo produzido e a finalidade da campanha.
A questão, portanto, não é transformar um contrato de comunicação em prova de alinhamento político. É exigir coerência.
Quem critica páginas de fofoca por fazerem ilações sem provas também precisa compreender que figuras públicas e influenciadores estão sujeitos a questionamentos quando existem fatos objetivos que justificam a discussão.
A regra precisa ser simples: se não é correto fazer ilações contra os outros sem provas, também não é correto presumir intenções políticas de quem faz críticas ou questionamentos. E, quando existem pagamentos públicos, que se apresentem os fatos e que cada cidadão tire suas próprias conclusões.

















