Quase a metade (48,9%) dos jovens da Argentina vivem em situação de vulnerabilidade social, segundo uma pesquisa da Universidade de Buenos Aires (UBA) divulgada nesta semana. Isso equivale a 4,1 milhões de pessoas.

O estudo define jovens em situação de vulnerabilidade como aqueles com idade entre 18 e 29 anos, que enfrentam “pobreza econômica” ou não concluíram os estudos básicos, atingindo no máximo o ensino fundamental.
Entre os jovens vulneráveis, 57% afirmam que o dinheiro do trabalho não rende ao final do mês, e apenas 24,8% continuam com os estudos. Segundo o levantamento, dois em cada dez jovens argentinos não estudam nem trabalham, enquanto 30% estão desempregados.
Além do desemprego, depressão e uso de álcool e outras drogas estão entre os fatores que afetam a juventude do país vizinho. Aproximadamente 30% reconhecem não conseguir controlar o consumo de álcool, cigarro ou outras substâncias.
“Essas vulnerabilidades, em conjunto, se manifestam de forma concreta no dia a dia: déficits materiais em moradia, famílias numerosas, dificuldade ou impossibilidade de pagar contas, interrupções nos estudos e trabalho informal”, destaca o informe.
A equipe da UBA entrevistou 1.002 jovens com 18 a 29 anos em situação de vulnerabilidade entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, resultando no documento “Jovens Vulneráveis na Argentina: Condições de Vida, Crenças e Expectativas sobre o Futuro”.
Emprego, saúde e segurança
A pesquisa aponta que, entre os jovens que trabalham, apenas 15% possuem emprego registrado, enquanto 76% estão em trabalhos informais ou por conta própria.
“O emprego se concentra em atividades pouco qualificadas e altamente informais: comércio, construção civil e trabalho autônomo, como venda ambulante, comércio online, limpeza e cuidados com idosos”, destaca o documento.
Daqueles que trabalham, 56,1% não estudam mais. Do total da população jovem argentina, 32% não estudam, não trabalham nem buscam emprego.
“A taxa de emprego é maior entre os homens do que entre as mulheres e maior na Região Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) em comparação ao restante do país”, afirma o documento.
Além disso, 78% dos jovens não possuem plano de saúde, dependendo exclusivamente dos serviços públicos, e 40% relatam viver em bairros “inseguros ou muito inseguros”.
Saúde mental e redes sociais
A vulnerabilidade social se reflete na saúde mental dos jovens argentinos. Mais de 70% declararam sofrer de problemas frequentes de ansiedade, e mais de 50% reconheceram vivenciar apatia ou depressão.
“Os sinais de sofrimento psicológico não são experiências incomuns, mas sim parte do cotidiano, reforçando a multidimensionalidade da vulnerabilidade”, explica o informe.
O estudo também revelou que 66% dos jovens se informam sobre temas atuais principalmente por meio das redes sociais, destacando-se Instagram (36%) e Facebook (22%). Meios tradicionais, como a TV, ocuparam a terceira posição com 18%.
“Níveis mais altos de escolaridade estão associados à maior presença do Instagram e à diversificação das fontes digitais, enquanto em níveis mais baixos, Facebook e TV permanecem canais relevantes”, pondera o estudo.
Fonte

















