Balanço do BNDES confirma que o programa saiu do papel, mas os números mostram uma distância significativa entre a propaganda do governo e os resultados efetivamente alcançados.
O primeiro balanço oficial do Move Brasil, divulgado pelo BNDES, mostra que o programa começou a operar, mas também revela que os resultados ainda estão muito abaixo da expectativa criada quando foi lançado pelo governo federal.
De acordo com os números oficiais, foram liberados R$ 1 bilhão em financiamentos, beneficiando 9.908 motoristas em 1.015 municípios brasileiros. O valor médio financiado por operação ficou em torno de R$ 102 mil, indicando que quem conseguiu aprovação teve acesso a um crédito suficiente para adquirir veículos dentro da proposta do programa.
Apesar disso, quando os números são comparados com a promessa inicial, a leitura muda completamente.
O Move Brasil foi apresentado pelo governo com um potencial de R$ 30 bilhões em crédito para renovação de frota.
Na prática, porém, o valor efetivamente liberado representa apenas 3,3% desse montante.
Esse percentual evidencia a diferença entre o que foi anunciado e o que efetivamente chegou aos motoristas até agora. Embora R$ 1 bilhão seja um volume expressivo em termos absolutos, ele corresponde a uma pequena fração da dimensão apresentada durante o lançamento do programa.
Outro dado que chama atenção é o alcance do crédito diante da procura.
Mais de 600 mil motoristas manifestaram interesse em participar do Move Brasil. No entanto, apenas 9.908 tiveram o financiamento aprovado até o momento, o que representa aproximadamente 1,6% dos interessados.
Em outras palavras, para cada 100 motoristas que buscaram o programa, pouco mais de um conseguiu acessar o crédito.
O relatório também mostra que os contemplados não são apenas motoristas por aplicativo. O programa inclui taxistas, o que significa que o número de motoristas de aplicativo efetivamente beneficiados é ainda menor do que o total divulgado.
O ticket médio de R$ 102 mil por operação também ajuda a dimensionar o desafio. Nesse ritmo, cada novo R$ 1 bilhão liberado financia aproximadamente 10 mil veículos.
Considerando uma demanda superior a 600 mil interessados, seria necessário multiplicar diversas vezes o ritmo atual para aproximar o programa da escala anunciada.
Além do desafio operacional, o Move Brasil enfrenta uma corrida contra o tempo. A iniciativa foi criada por meio de uma medida provisória, que tem prazo para ser apreciada pelo Congresso Nacional. Caso a MP não seja aprovada dentro do período previsto, o programa poderá perder sua base legal antes mesmo de atingir uma escala mais ampla.
Os números do BNDES confirmam que o Move Brasil deixou de ser apenas uma promessa e começou a funcionar. Entretanto, também mostram que a execução ainda está distante da dimensão apresentada pelo governo. O principal contraste revelado pelo balanço é justamente esse: enquanto a divulgação destacou um programa de R$ 30 bilhões, a execução efetiva alcançou, até o momento, 3,3% desse potencial, atendendo cerca de 1,6% dos motoristas que demonstraram interesse. Esses indicadores colocam em evidência o desafio de transformar a expectativa criada na divulgação oficial em resultados mais amplos para a categoria.

















