Dezenas de milhares de pessoas se reuniram na tarde de hoje (21) em protesto pela legalização da maconha no país. Em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), os manifestantes denunciaram os efeitos da criminalização da planta. O grupo ressaltou que a proibição sobrecarrega o sistema prisional e gera preconceito contra o uso medicinal e terapêutico, que atende inclusive crianças sob prescrição médica. 

A 18ª Marcha da Maconha reuniu apoiadores, ativistas e organizações ligadas ao debate sobre a regulamentação da cannabis.
Na Avenida Paulista, camisetas e cartazes denunciaram as restrições aos medicamentos durante o ato deste domingo e traziam mensagens como “Maconha não mata, mas o feminicídio, sim”. O perfil dos participantes era diverso, incluindo idosos, pais e mães com seus filhos e jovens adultos.
A professora de educação infantil Stephanie Oliveira participou da mobilização pela primeira vez, acompanhada do namorado. Ela contou que sua mãe, de 47 anos, usa cannabis medicinal para regular o sono e aliviar dores nas costas.
Stephanie explicou à reportagem que hesitou em compartilhar fotos da marcha nas redes sociais, temendo a reação dos colegas de trabalho. No entanto, decidiu não esconder sua participação, pois entende que o movimento pela legalização trata de direitos.
“Não é um assunto tão aberto e eu não converso muito sobre isso na escola com as minhas colegas, sendo que a maioria me segue no Instagram. Cheguei a pensar se deveria postar, mas considero o movimento importante. Vou publicar independentemente de julgamentos, porque é uma causa que apoio, mesmo não fumando”, afirmou.
De acordo com o anuário da Kaya Mind, principal organização brasileira voltada à sistematização e divulgação de dados nacionais sobre o segmento, atualmente 50 mil pessoas no país declaram tratar-se com produtos à base de cannabis sativa.
A publicação, lançada com financiamento da Gravital Clínica Canábica e da Cannect, destaca que a falta de aceitação da planta por grande parte da sociedade dificulta a regulamentação. Diante dessa resistência, as discussões não avançam e apenas pessoas com alto poder aquisitivo conseguem importar itens canábicos.
Levantamento da Bliss Data 2026 indica as mulheres de meia‑idade e início da velhice como o principal grupo usuário da cannabis medicinal.
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