Entidades ligadas ao jornalismo manifestaram repúdio à decisão do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo (SP), de determinar a prisão, em regime aberto, do profissional Luan Araújo. Em outubro de 2022, ele foi alvo de uma perseguição armada por parte da então deputada federal Carla Zambelli.

A prisão foi determinada pelo juiz José Fernando Steinberg. Ele alegou que o “condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta”. Araújo, que está desempregado, precisava pagar uma indenização de R$ 2,2 mil em decorrência da condenação por “difamação”. Foi considerado culpado por ter divulgado um texto crítico a Carla Zambelli.
Luan Araújo escreveu, na ocasião, que Zambelli integrava uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e comete atrocidades”.
Em nota, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira‑SP) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial da Federação Nacional dos Jornalistas (Conajira/Fenaj) criticaram a punição ao jornalista.
“[As entidades] vêm a público repudiar a decisão da Justiça paulista que determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo por não pagamento de R$ 2.216,30 referentes a uma condenação por difamação em ação movida pela ex‑deputada federal Carla Zambelli (PL‑SP)”, informa a nota.
“Estou triste”
A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial divulgou ainda a posição de Luan Araújo, que prevê um período complicado pela frente. “Estou triste com toda essa repercussão, mas também feliz por ver o acolhimento das pessoas.”
Segundo a comissão, ele tem pedido apoio diante do cenário que enfrenta. “Estou sem emprego e tentando buscar uma oportunidade de trabalho”, afirmou.
Após a condenação, Luan Araújo publicou nota nas redes sociais classificando a decisão como “injusta”. “Problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades, uma condenação na justiça por um texto que escrevi, onde a justiça quer que eu pague um dinheiro que não tenho para pagar uma condenação que considero injusta”, disse.
Também nas redes, Araújo lamentou que a ex‑deputada federal teve o pedido de extradição rejeitado pela Justiça da Itália. “Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, está livre. Enquanto isso, estou fazendo uma vaquinha para entrar com um processo por danos morais contra ela.”
Ele se descreveu como “desesperançoso”. “Não vou deixar de lutar, mas tenho muito menos armas que ela.”
O caso
No dia 29 de outubro de 2022, antes do segundo turno da eleição presidencial de 2022, Zambelli e Araújo tiveram um confronto e a então deputada sacou um revólver. Imagens divulgadas na época mostram Zambelli perseguindo o jornalista pelas ruas de São Paulo e dentro de uma lanchonete.
Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão pelo episódio. Ela foi considerada culpada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com uso de arma de fogo.
O Brasil solicitou a extradição de Zambelli, que chegou a ser concedida nas primeiras instâncias da justiça italiana, mas foi anulada em maio pela Corte de Apelação de Roma.
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