Um aplicativo chamado A.Dot, que reúne informações sobre crianças e adolescentes com mais dificuldades de conseguir uma família adotiva, foi lançado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta segunda‑feira (25), Dia Nacional da Adoção. 

A busca ativa do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) tem como público prioritário crianças mais velhas, adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência ou necessidades de saúde específicas. Por isso, a iniciativa passou a contar com um aplicativo dedicado.
A apresentação do aplicativo, que já operava no Tribunal de Justiça do Paraná, ocorreu em um webinário promovido pelo CNJ. O acesso à ferramenta pode ser feito com o login do portal Gov.br. Os interessados podem iniciar o pré‑cadastro e acompanhar o processo de habilitação para adoção.
Segundo o CNJ, 1.801 crianças e adolescentes no Brasil estão aptos para a busca ativa. Desde 2019, o SNA viabilizou mais de 33,5 mil adoções no país, das quais 1.826 foram realizadas por esse caminho.
Proteção integral
No lançamento, o presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Edson Fachin, ressaltou que o aplicativo foi criado para ampliar o acesso qualificado à informação e fortalecer a proteção integral na adoção e no acolhimento.
“Esse aplicativo permite que pretendentes devidamente habilitados tenham acesso seguro a informações autorizadas, inclusive conteúdo audiovisual, contribuindo para decisões mais conscientes e responsáveis”, afirmou o ministro.
Para ele, a tecnologia representa uma forma de atuação que valoriza a cooperação nacional e o compromisso com os direitos fundamentais.
No aplicativo, os usuários podem conhecer os perfis das crianças e adolescentes disponíveis para busca ativa, com fotos, vídeos curtos e informações essenciais.
O uso da ferramenta exige compromisso com a preservação da identidade, da imagem, da intimidade e do sigilo das informações. A inclusão das crianças e adolescentes na plataforma depende de autorização judicial.
Respeito
No webinário, o juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça e gestor do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, Hugo Zaher, destacou que o aplicativo representa uma iniciativa pioneira ao possibilitar uma apresentação mais humanizada, respeitosa e sensível de crianças e adolescentes.
“Pretendentes habilitados em qualquer unidade da federação poderão acessar diretamente pelo celular, na palma da mão, a busca ativa nacional de crianças e adolescentes aptos à adoção, superando barreiras geográficas e ampliando as possibilidades”, declarou o juiz no evento.
Para ele, o aplicativo consolida a política nacional de busca ativa no sistema de adoção e acolhimento.
Zaher explicou que a proposta visa aproximar histórias e reduzir as invisibilidades presentes nos processos de adoção tardia, de grupos de irmãos e de crianças e adolescentes com necessidade específica de saúde ou deficiência.
“O que buscamos é oferecer visibilidade qualificada, uma visibilidade ética, protegida e humanizada, que respeite a história, a identidade, a privacidade e o protagonismo de cada criança”.
Irmãos
De acordo com o CNJ, mais de 90% das crianças e adolescentes em busca ativa têm mais de oito anos de idade. Outro dado importante é que mais de 60% desses jovens possuem ao menos um irmão.
O aplicativo foi lançado com 1.787 crianças e adolescentes cadastrados na plataforma. Ainda segundo o gestor do sistema nacional de adoção e acolhimento, Hugo Zaher, 65% das adoções por busca ativa mantêm irmãos juntos. “Para crianças e adolescentes com deficiência, a busca ativa também se apresenta como uma importante alternativa”.
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