A primeira edição do Festival Akwaaba foi inaugurada na tarde desta sexta‑feira (22) no Museu Afro Brasil Emanoel Araújo, dentro do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O nome, vindo da língua akan e significando “bem‑vindo”, reflete a intenção do Akwaaba de ser o ponto de partida de uma rede de intercâmbio cultural entre o Brasil, o continente africano e a diáspora africana. 

Promovido pela Fundação Cultural Palmares, o festival segue até 28 de maio, com atividades no Museu Afro Brasil e também no Centro Cultural São Paulo.
Conforme o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, o evento ultrapassa o mero encontro cultural.
“Trata‑se de um festival do pensamento. Um pensamento pan‑africano, que originou a libertação de diversas nações africanas. É um festival de pan‑africanismo, de ciência política”.
Rodrigues afirma que o Akwaaba busca suprir um vazio histórico: a falta de um espaço estruturado e permanente de articulação entre a África e sua diáspora nos campos cultural e intelectual.
“Sejam bem‑vindos ao mundo pan‑africano, à diáspora africana. Bem‑vindos ao lugar de reflexão sobre arte, cultura, ciência e política. Esse pensamento pan‑africano libertou 18 países africanos”, reforçou.
A programação, centrada no Dia da África (25 de maio), dialoga com agendas globais de valorização das culturas afro‑diaspóricas, cooperação Sul‑Sul e combate ao racismo.
A iniciativa reúne representantes de várias nações africanas, artistas, pesquisadores, lideranças e gestores públicos, e visa consolidar o Brasil como um dos principais nós de conexão da chamada “sexta região” da África — a diáspora.
Para o professor da Universidade Federal do Sul da Bahia, Richard Santos, o festival representa um marco político que reposiciona o Brasil no Sul Global. Ele destaca que o Akwaaba marca o início da implementação da proposta de uma agência pan‑africana, concebida na 1ª Conferência da Diáspora Africana nas Américas, realizada em 2023, em Salvador.
“Uma agência pan‑africana para fomentar o diálogo entre Brasil e África. Essa demanda já foi apresentada no [9º Congresso Pan‑Africano, realizado em Lomé, Togo]”, declarou.
A programação completa está disponível na página oficial do festival.

















