Um novo relatório, divulgado durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) em Campo Grande (MS), identificou **325 espécies** de peixes migratórios de água doce ao redor do mundo que necessitam de medidas de conservação internacional.

O estudo revelou que 55 dessas espécies são encontradas na América Latina. A Bacia Amazônica foi designada como uma área prioritária para ações de proteção sob a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS).
“O relatório apresenta um estudo de caso com 20 espécies amazônicas, demonstrando o impacto significativo na região. É crucial considerar a influência das mudanças climáticas, que têm causado secas extremas com efeitos devastadores sobre esses recursos”, afirmou Rita Mesquita, secretária Nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Os dados globais do relatório indicam uma queda alarmante de aproximadamente 81% nas populações de peixes migratórios de água doce em todo o mundo desde 1970, representando uma crise silenciosa.
A construção de barragens, a poluição causada por plásticos e outras substâncias, e a pesca predatória são apontadas como ameaças, agravadas pelas mudanças climáticas que intensificam a degradação e a fragmentação dos habitats. Com rios mais secos e interrompidos, os peixes encontram dificuldades para migrar em busca de alimento ou para se reproduzir.
“Essa situação gera uma pressão considerável sobre essas espécies, que são a base econômica para as comunidades que vivem na Amazônia e dependem delas como fonte de alimento. Isso afeta não apenas a Amazônia brasileira, mas também todas as populações que vivem ao longo dos rios”, alertou Carlos Durigan, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.
Delegação brasileira
De acordo com a secretária Rita Mesquita, a delegação brasileira tem trabalhado ativamente na COP15 com propostas para reverter o declínio das espécies migratórias que transitam pelo território nacional. Um exemplo é o Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios da Amazônia, desenvolvido em colaboração com Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, com previsão de implementação entre 2024 e 2025.
“Essas espécies percorrem distâncias impressionantes, até 11 mil quilômetros, para alcançar seus locais de reprodução e acasalamento. Portanto, é essencial que as ações sejam coordenadas com outros países”, enfatizou.
O Brasil também apoia a inclusão do pintado (Pseudoplatystoma corruscans), um peixe comum na Bacia do Prata, na lista do Anexo II da CMS.
“Há muitas outras espécies que deveriam estar na convenção e ainda não estão, o que o próprio relatório confirma. O Brasil está prestes a lançar uma lista atualizada de espécies ameaçadas de extinção, onde algumas espécies tiveram seu status elevado, exigindo esforços de conservação ainda maiores”, concluiu.
Acesse o relatório completo em inglês.
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