Nova rodada de pesquisas expõe mudança no humor do eleitor, amplia vantagem da oposição ao Palácio de Ondina e acende alerta máximo no grupo governista
O tabuleiro político baiano começou 2026 em ritmo acelerado — e os números mais recentes mostram que o cenário mudou de patamar. A nova pesquisa da Séculus indica ACM Neto com 48,3% das intenções de voto para o Governo da Bahia, abrindo vantagem consistente sobre o governador Jerônimo Rodrigues, que aparece com 31,1%.
Não é detalhe estatístico. É movimento estrutural.
Quando um ex-prefeito, fora da máquina estadual, encosta nos 50% contra um governador no exercício do cargo, o sinal é claro: há deslocamento de eleitorado. E deslocamento não acontece por acaso. Ele é construído por percepção — e percepção é produto de ambiente político, economia, entrega de gestão e clima nacional.
No Senado, o quadro também merece leitura estratégica. Rui Costa e Jaques Wagner lideram, mantendo a força histórica do PT no estado. Mas o avanço de João Roma e, sobretudo, o reposicionamento de Ângelo Coronel, mudam o eixo da disputa. A ruptura de Coronel com a base governista não é apenas simbólica. Ela reorganiza alianças, mexe com prefeitos, tensiona o PSD e cria uma zona de instabilidade dentro da engrenagem política que sustentou o grupo petista por quase duas décadas.
E aqui entra o ponto central da análise: o desgaste.
O governo estadual não está isolado do contexto nacional. A política brasileira funciona em vasos comunicantes. Quando há ruído, desgaste de imagem ou insatisfação no plano federal, os reflexos descem a escada institucional. A Bahia, historicamente alinhada ao projeto nacional do PT, começa a demonstrar sinais de fadiga em parte do eleitorado.
O período do Carnaval foi emblemático. Enquanto o governo buscava capitalizar visibilidade institucional e reforçar presença pública, o ambiente político nos bastidores era de rearrumação intensa. Conversas, contenção de danos, tentativa de recomposição de base e sinalizações ao mercado político. Não foi um pós-Carnaval de celebração política. Foi de contenção estratégica.
Outro dado relevante: pesquisas anteriores mostravam cenários mais equilibrados, inclusive com vantagem para o governador em alguns levantamentos. A fotografia atual revela volatilidade. E volatilidade, em política, significa que o eleitor está testando alternativas.
ACM Neto capitaliza hoje dois ativos: recall eleitoral consolidado e narrativa de mudança. Jerônimo carrega o peso da gestão, da avaliação de governo e da conexão direta com o ambiente federal. É uma disputa entre continuidade e reconfiguração.
No Senado, a fragmentação pode ser ainda mais determinante. Como são duas vagas, a matemática eleitoral favorece articulação fina. Rui e Wagner lideram, mas não com folga confortável. E quando há ruptura na base, o risco é pulverização de votos e perda de controle de palanque.
Resumo frio dos fatos:
– O governo estadual enfrenta desgaste perceptível.
– A oposição consolidou vantagem relevante ao Executivo.
– O Senado deixou de ser território tranquilo.
– A base governista vive momento de ajuste interno após rompimentos estratégicos.
Nada está decidido. Mas o ciclo mudou.
A Bahia de 2026 não é a mesma Bahia de 2014 ou 2018. O eleitor está mais pragmático, menos ideológico e mais sensível à performance. Quem entender isso primeiro, constrói maioria. Quem ignorar, paga a conta nas urnas.

















