O ano de 2025 figura como o terceiro mais quente já registrado em escala global, com a temperatura média do planeta 1,47°C acima dos níveis observados entre 1850 e 1900, período considerado de referência pré-industrial.

No Brasil, esse aumento da temperatura se manifestou em uma série de eventos climáticos extremos que afetaram a vida de 336.656 pessoas e causaram perdas econômicas estimadas em R$ 3,9 bilhões.
Esses dados são apresentados no relatório mais recente, intitulado Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
A elaboração do relatório se baseia em informações coletadas de diversos órgãos e programas de monitoramento climático, tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo, incluindo o Serviço Europeu de Mudanças Climáticas Copernicus.
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De acordo com o relatório, a temperatura média global em 2025 alcançou 14,97°C, ficando apenas 0,01°C abaixo da registrada em 2023 e 0,13°C abaixo de 2024, que foi o ano mais quente da série histórica.
“As altas temperaturas globais, combinadas com níveis recordes de vapor d’água na atmosfera em 2025, desencadearam ondas de calor intensas, secas, incêndios e chuvas torrenciais, gerando impactos significativos e sofrimento para milhões de pessoas”, afirmam os autores do relatório.
Eventos hidrológicos
O documento destaca que o verão de 2024/2025 foi o sexto mais quente registrado no Brasil desde 1961. Em novembro do ano passado, oito estados brasileiros enfrentaram secas severas em todo o seu território: Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.
O relatório aponta que o país foi palco de sete ondas de calor e sete ondas de frio, além de uma “variedade de desastres hidrometeorológicos intensificados por padrões climáticos extremos associados ao aquecimento global”.
Foram registrados 1.493 eventos hidrológicos, como secas intensas, inundações, transbordamentos de rios, cheias, enxurradas e deslizamentos de terra. Desses, 1.336 foram de pequena magnitude, 146 de média magnitude e 11 de grande magnitude, com predominância de inundações, enxurradas e deslizamentos. A região Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) concentrou 43% do total de ocorrências.
Segundo os autores do relatório, esses eventos evidenciaram não apenas as áreas mais vulneráveis, onde a intensidade dos eventos e as condições locais contribuíram para danos mais significativos, mas também as diferenças na capacidade de resposta das instituições municipais.
Os especialistas estimam que 2.095 das 5.570 cidades brasileiras estão expostas a riscos geo-hidrológicos, e que estas devem ser priorizadas em ações de gestão e prevenção de desastres.
Minas Gerais, que recentemente sofreu com fortes chuvas, é apontada como o estado com o maior número de cidades em risco durante períodos chuvosos: dos 853 municípios mineiros, 306 estão suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações, representando um perigo para aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, de acordo com o Cemaden.
Perspectiva
O Cemaden ressalta que o número de desastres climáticos no Brasil aumentou 222% entre o início da década de 1990 e os primeiros três anos de 2020, alertando para a tendência de ocorrência de eventos extremos mais frequentes nos próximos anos, incluindo ondas de calor cada vez mais intensas e menos ondas de frio, algumas delas com grande intensidade.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pelo Cemaden, enfatiza que a consolidação desses dados reforça a importância de investimentos em ciência e tecnologia, no monitoramento contínuo e na integração entre pesquisa e gestão pública, como forma de antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades.
Para o ministério, fortalecer a capacidade científica nacional é essencial para enfrentar um cenário climático cada vez mais desafiador e complexo.
A versão completa do relatório, com 44 páginas está disponível no site do Cemaden.
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