Na terça-feira (20), a cidade do Rio de Janeiro celebrará seu padroeiro, São Sebastião, com uma série de eventos religiosos, incluindo missas e uma procissão solene. A primeira missa será presidida pelo cardeal Dom Orani João Tempesta na Basílica Santuário de São Sebastião, localizada na Tijuca, zona norte do Rio, às 10h.

No período da tarde, a partir das 16h, acontecerá a Procissão Arquidiocesana, que terá início na Basílica da Tijuca e seguirá até a Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, situada na Avenida Chile, no centro da cidade.
O trajeto, com aproximadamente cinco quilômetros de extensão, foi reconhecido como patrimônio cultural da cidade em 2014. Ao final da procissão, na Avenida Chile, será apresentada a peça teatral “Auto de São Sebastião 2026”, que homenageia a vida e a fé no santo padroeiro, seguida por uma missa solene na catedral.
Padroeiro
O Rio de Janeiro foi fundado por Estácio de Sá, sobrinho do governador-geral Mem de Sá, em 1º de março de 1565, na entrada da Baía de Guanabara, entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar. A cidade recebeu o nome em referência ao Rei menino D. Sebastião de Portugal, e a seu padroeiro, São Sebastião.
No entanto, foi em 20 de janeiro de 1567, quando os portugueses expulsaram os franceses que haviam se estabelecido na região desde 1555, que a data passou a ser celebrada como o dia do santo padroeiro da cidade do Rio. Isso ocorreu porque, segundo a lenda, São Sebastião foi avistado com uma espada na mão, lutando ao lado dos portugueses, mamelucos e índios na batalha decisiva de Uruçumirim.
O santo
Um dos mártires romanos dos primeiros séculos da Igreja Cristã, o jovem Sebastião nasceu em Narbona, na França, em 256 da era cristã. Ainda criança, mudou-se com a família para Milão, na Itália, cidade natal de sua mãe.
Ele se alistou no exército de Roma e ascendeu ao posto de comandante da guarda do imperador Diocleciano. Secretamente, porém, Sebastião se converteu ao cristianismo. Ele frequentemente visitava os cristãos presos, que aguardavam o martírio no Coliseu, onde seriam devorados por leões ou lutariam contra gladiadores. Ele os encorajava e consolava, transmitindo a crença de que seriam salvos após a morte, de acordo com os princípios cristãos.
A fama de benfeitor dos cristãos chegou ao conhecimento do imperador, que tentou convencê-lo a renunciar à sua fé. Diante da recusa, Diocleciano o condenou à morte. Sebastião foi amarrado a uma árvore e alvejado com flechas. Os soldados que o executaram o deixaram aparentemente sem vida.
Sebastião foi resgatado por algumas mulheres, que o cuidaram até que ele se recuperasse. Ao se restabelecer, o jovem retornou à presença do imperador, pedindo que ele cessasse a perseguição e a morte de cristãos. Diocleciano ordenou que ele fosse açoitado até a morte, o que ocorreu em 287 da Era Cristã. Seu corpo foi sepultado próximo às catacumbas dos apóstolos.
O culto a São Sebastião começou no século 4, quando o imperador Constantino, convertido ao cristianismo, ordenou a construção da Basílica de São Sebastião, na Via Appia, para abrigar os restos mortais do santo.
Naquela época, Roma enfrentava uma grave epidemia de peste, mas, após a transferência das relíquias de Sebastião, a doença desapareceu. Ele é considerado o santo padroeiro contra a peste, a fome, a guerra e, mais recentemente, tornou-se um ícone para comunidades LGBTQIA+ [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Queer, Intersexo, Assexuais] devido à sua resistência e beleza.
Oxóssi
Além de ser objeto de devoção de católicos portugueses e brasileiros, São Sebastião foi identificado no sincretismo religioso dos rituais afro-brasileiros, que associa o orixá Oxóssi a santos católicos. Oxóssi é o orixá das matas, da caça, da fartura e do conhecimento. Ele também é a divindade associada aos espíritos dos caboclos, ancestrais indígenas que atuam na linha de frente da cura e da orientação.
Outro ponto de conexão entre Sebastião e Oxóssi é que ambos eram guerreiros, ligados à natureza e ao uso da flecha, e celebrados no mesmo dia 20 de janeiro. Assim como São Sebastião foi martirizado por flechas, a flecha de Oxóssi simboliza a precisão, a capacidade de alcançar objetivos e a proteção contra males.
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