Em 20 de novembro de 2003 foi criado como efeméride (fato importante ou grato ocorrido em determinada data), primeiro incluída no calendário escolar e oficialmente instituído no âmbito nacional mediante a Lei nº 12 519, 10 de novembro de 2011, o dia 20 de novembro sendo feriado em cerca de 1000 cidades em todo país; como dia da CONSCIÊNCIA NEGRA.
Esta data que aos poucos está ganhando a devida notoriedade é dedicada à reflexão da importância da cultura negra e a inserção do negro na sociedade brasileira. O que chama atenção é a palavra consciência, pois isso já deveria estar intrínseco nos habitantes de um País que segundo dados do IBGE 54% dos brasileiros são negros, ou seja, mais da metade da sua população.
Consciência se adquire no berço familiar e posteriormente nas escolas, portanto é significativo que nossas crianças utilizem o que já têm dentro delas, pois se observarmos, criança não distingue cor, raça ou credo (a não ser que em casa a consciência não consiga se sobrepor ao preconceito). Temos que evoluir muito e aprender com a sapiência das crianças como lidar com o semelhante. Evoluir, para que num país de negros, brancos, índios e miscigenados não se crie um dia para reforçar algo que já deveria estar totalmente enraizado na sociedade. Que as desigualdades não precisem a todo instante se fazerem presentes, que os discursos não sejam “repetitivos” e “chatos”, que a violência não seja retratada em números, causando seus maiores malefícios justamente nos que menos têm oportunidade.
E a única saída para tanta desigualdade que foi criada desde os tempos da colonização, é algo não muito valorizado, mas importante para o desenvolvimento de qualquer nação: a educação. É através dela que os pais observarão que suas crianças nasceram com a “consciência” de olhar o outro como igual e reforçar estes valores durante o seu desenvolvimento em casa e na escola.
A caminhada é longa e cheia de percalços mas vai ser chegada a hora que não precisaremos de um dia do ano para criar algo que já deveria ter e que essa data seja de celebração não de conscientização E quando esse dia finalmente chegar, possamos celebrar, pois realmente adquirimos o verdadeiro sentido da palavra CONSCIÊNCIA.
Susane Santiago




















