Entre janeiro e fevereiro, capital baiana reúne celebrações religiosas, sincretismo e grandes eventos populares que definem sua identidade
Salvador começa o ano no modo raiz: ruas ocupadas, igrejas cheias, praias tomadas por rituais e celebrações que atravessam séculos. Entre janeiro e fevereiro, a capital baiana ativa um calendário intenso, onde fé, tradição e cultura popular caminham juntas. São eventos que mobilizam moradores, fiéis e turistas, reforçando o sincretismo religioso e a identidade única da cidade.
A Lavagem do Bonfim, em 15 de janeiro, abre oficialmente o ciclo. Ícone absoluto da religiosidade baiana, a celebração é marcada pelo cortejo das baianas vestidas de branco e pela lavagem das escadarias da Basílica do Senhor do Bonfim, na Colina Sagrada. Em 2026, o tema destaca o ministério de Jesus, reunindo pessoas de diferentes crenças em um dos atos mais simbólicos do calendário local.
No dia 25 de janeiro, a Festa de São Lázaro, no bairro da Federação, reforça o sincretismo religioso que define Salvador. Devotos buscam proteção para a saúde e para os animais em uma programação que inclui missas, procissões, bênção de cajados e o tradicional banho de pipoca, associado a Obaluayê/Omolu.
Já no dia 26, a Segunda-feira Gorda da Ribeira encerra as celebrações ligadas à Lavagem do Bonfim com clima popular e comunitário. A orla do bairro vira ponto de encontro para música, comida típica e confraternização, com o tradicional cozido servindo como símbolo de partilha e pertencimento.
Em 2 de fevereiro, Salvador para para reverenciar a Festa de Iemanjá, no Rio Vermelho. Uma das maiores manifestações religiosas do Brasil, o evento leva milhares de pessoas às ruas e ao mar para entregar flores e oferendas à Rainha do Mar, em um ritual que mistura fé, gratidão e pedidos de proteção.
No dia 5 de fevereiro, é a vez da Lavagem de Itapuã. A festa começa ainda de madrugada, com o Bando Anunciador chamando o bairro para a celebração. O cortejo segue até a Paróquia Nossa Senhora da Conceição, onde a lavagem das escadarias dá o tom de um dia marcado por música, religiosidade e ocupação das ruas.
Fechando o ciclo, entre 12 e 17 de fevereiro, o Carnaval de Salvador assume o protagonismo. Reconhecido como o maior carnaval de rua do mundo, o evento espalha trios elétricos, blocos afro, afoxés e pipocas pelos circuitos Dodô, Osmar e Batatinha. Grandes nomes da música dividem espaço com manifestações culturais históricas como Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy e Olodum, consolidando Salvador como epicentro da festa, da cultura e da diversidade brasileira.

















