Após isolar Ângelo Coronel, PT agora esvazia o MDB e expõe Geraldo Júnior; estratégia revela alianças utilitárias, sem lealdade e válidas só enquanto convêm ao projeto de poder.
Salvador — O discurso de “frente ampla” do PT na Bahia voltou a ruir diante dos fatos. A insistência do partido em montar uma chamada chapa puro-sangue para 2026 escancarou um padrão já conhecido nos bastidores: alianças que só valem enquanto servem ao projeto petista de poder. Quando deixam de ser úteis, os aliados são empurrados para fora — sem cerimônia, sem diálogo e sem fidelidade política.
O primeiro a sentir o peso desse isolamento foi o senador Ângelo Coronel (PSD). Mesmo ocupando uma vaga estratégica na chapa majoritária, Coronel passou a ser tratado como peça descartável à medida que o PT intensificou o controle absoluto sobre o arranjo eleitoral. O recado foi claro: espaço só para quem aceita jogar sem questionar.
Agora, o movimento se repete com o MDB. O partido, historicamente aliado do PT na Bahia, vê seu espaço ser progressivamente esvaziado. O vice-governador Geraldo Júnior virou símbolo desse processo: prestigiado em palanques e discursos, mas ignorado nas decisões centrais. Na prática, o MDB foi reduzido a figurante, enquanto o PT concentra poder e cargos estratégicos.
A crítica ganhou força após declarações públicas de ACM Neto, que classificou a postura petista como oportunista e desleal. Para o ex-prefeito de Salvador, o PT “usa e descarta aliados conforme a conveniência”, reforçando a percepção de que não há compromisso real com acordos políticos, apenas cálculo eleitoral. Neto também apontou que esse comportamento se repete há anos e ajuda a explicar o desgaste da base governista no estado .
Nos bastidores, lideranças partidárias admitem desconforto crescente. A leitura é direta: o PT defende alianças no discurso, mas na prática atua de forma hegemônica, sufocando parceiros e tratando a coalizão como extensão do partido. Quando chega a hora de dividir poder, prevalece o “puro-sangue”.
O caso do MDB é emblemático. Mesmo entregando apoio eleitoral decisivo e ocupando a vice-governadoria, o partido vê o PT flertar abertamente com uma chapa fechada, ignorando compromissos prévios. Para críticos, trata-se de mais um sinal de que, no PT, fidelidade política é descartável e acordos têm prazo de validade curto.
A estratégia pode até funcionar no curto prazo, mas cobra um preço alto: desconfiança, enfraquecimento da base e isolamento político progressivo. Como resumiu um dirigente ouvido reservadamente, “quem entra numa aliança com o PT precisa saber: ela dura enquanto for conveniente”.
A repetição do roteiro — Coronel ontem, MDB e Geraldo Júnior hoje — reforça a crítica central da oposição: o PT não constrói alianças, administra conveniências. E, na política baiana, essa conta costuma chegar.

















