Em Petrópolis, no Rio de Janeiro, pesquisadores, ativistas e familiares de pessoas que desapareceram durante o regime militar se uniram para preservar a memória política e defender os direitos humanos. Para fortalecer iniciativas comunitárias que promovam a reflexão, a educação e a resistência, eles criaram o Ponto de Cultura Inês Ettiene.

A inspiração para o projeto deriva da trajetória da ativista política Inês Ettiene Romeu, a única pessoa que sobreviveu à Casa da Morte.
Ela foi detida no local entre maio e agosto de 1971, período em que foi torturada por militares. Após recuperar a liberdade, ela denunciou os acontecimentos na casa. A ativista faleceu em 2015.
Em razão da história da região e da vida de Inês, um evento público foi realizado na última sexta-feira (28) em frente ao imóvel.
O grupo que compõe o Ponto de Cultura, que ainda não possui uma sede fixa, solicitou a desapropriação da casa para transformá-la em um espaço dedicado à memória.
Ponto de cultura
“Participaram familiares de pessoas desaparecidas na Casa da Morte. Alguns deles com comprovação, outros ainda não. Mas existem indícios de que os desaparecimentos podem ter ocorrido ali, que foi um dos principais centros de assassinatos de militantes políticos”, afirma Vera Vital Brasil, integrante do Ponto de Cultura Inês Etienne.
Um processo de desapropriação do imóvel foi iniciado. A prefeitura de Petrópolis recebeu, no início deste ano, a autorização da 4ª Vara Cível para tomar posse, mas o caso não foi finalizado.
Dessa forma, o imóvel continua sendo uma propriedade privada. “O movimento luta há anos para transformá-lo em um centro de memória. Existe um projeto memorial Casa da Morte em funcionamento e há uma busca por recursos para adquirir a casa, que é particular e está na posse de alguém que a comprou de [Ricardo] Lodders, que a cedeu para o Exército”, relata Vera.
Ícone
Devido à sua trajetória e por ser a única sobrevivente do local, Inês Etienne é a principal figura inspiradora do Ponto de Cultura que leva seu nome. “Ela é esse símbolo de resistência, uma sobrevivente de situações terríveis e cruéis. Inês é para nós um símbolo de luta e de resistência que abriu um caminho de reconhecimento do que acontecia nesses porões da ditadura”, acrescenta.
O grupo planeja realizar novas atividades. Vera informa que “a intenção é promover a exibição de filmes, músicas e obras culturais que remetam e informem sobre o que ocorreu durante a ditadura militar no Brasil”, conclui.
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