Otávio Marambaia aponta evasão na residência e alerta para riscos da proliferação de escolas médicas sem controle de qualidade
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Otávio Marambaia, fez duras críticas ao modelo de formação médica no Brasil e defendeu a criação de uma prova nacional de proficiência para o exercício da profissão. Segundo ele, há uma crescente evasão de recém-formados dos programas de residência médica, o que compromete a qualificação profissional e a segurança dos pacientes.
“É uma luta diária defender a boa prática médica. Temos problemas que começam na estrutura de formação, com a proliferação de escolas que geram profissionais que consideramos potenciais perigos”, afirmou Marambaia. Ele propõe uma avaliação nacional em três etapas — prática, teórica e de competências — para garantir um padrão mínimo de qualidade. “O Brasil é o único país do mundo onde a pessoa sai da graduação e já começa a exercer medicina”, completou.
Marambaia também criticou o uso do termo “especialização” por profissionais que não passaram pela residência médica. “No Brasil, criou-se a cultura do ‘pelo menos’. Não fez residência, mas pelo menos fez uma pós-graduação. Isso não existe. O doutorado não substitui a prática supervisionada que a residência oferece”, declarou.
Dados recentes mostram que a proporção de formandos que ingressam na residência médica caiu de 77% em 2018 para 49% em 2024 — menos da metade dos novos médicos segue o caminho considerado ideal de formação. Pela legislação, apenas quem conclui residência reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM/MEC) ou obtém título de especialista por sociedades vinculadas à Associação Médica Brasileira (AMB) pode ser considerado especialista. Para Marambaia, a formação prática é insubstituível: “Não cabe em videoaulas nem em cursos de fim de semana.”

















